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terça-feira, 4 de julho de 2017

RAPIDINHAS DO BLOG...

INVESTIMENTO PRIVADO NO BRASIL RECUA AO MENOR NÍVEL DESDE 2000
A longa recessão em que o Brasil mergulhou há quase três anos derrubou os investimentos para o nível mais baixo desde a virada do século, principalmente por causa da retração do setor privado. Do ponto mais alto dos últimos anos, em 2013, a taxa de investimento de empresas e famílias caiu de 19% para 13,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em dezembro de 2016, o pior nível desde 2000, de acordo com estimativas do Cemec (Centro de Estudos do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais). Investimentos são recursos aplicados na aquisição de máquinas e equipamentos, na construção civil e no desenvolvimento de novos produtos. Quanto maior a taxa de investimento, maior será a capacidade da economia de crescer de forma sustentável. As incertezas criadas pela crise que o país atravessa e o esforço que empresas e famílias têm feito para reduzir suas dívidas explicam parte da retração dos investimentos. 

Mas o estudo do Cemec sugere que o desequilíbrio crescente das contas do governo é parte do problema. Os dados mostram que o setor privado está poupando como nunca, mas boa parte dos recursos tem servido para financiar o governo em vez de comprar máquinas ou erguer fábricas. Em meio ao cenário econômico instável, os juros pagos para financiar a dívida pública garantem retorno superior às possibilidades oferecidas às empresas por investimentos produtivos.
MOTORES
Essa dinâmica é muito ruim para a economia num momento em que, para reagir, ela precisa de outros motores além do consumo, que sofre com a falta de crédito e o elevado nível de desemprego —fora as incertezas criadas pela turbulência na política. Em linha com a deterioração das contas do governo, a taxa de investimento do setor público, que já era baixa, caiu para 1,8% do PIB em 2016, o menor nível desde 2004, segundo os cálculos do Cemec. A queda do investimento privado é brutal e mais evidente. Entre 2013 e 2016, mostra o estudo, o setor privado respondeu por 84% da redução da taxa de investimento global da economia brasileira. Por isso, o investimento somado, do setor público e do setor privado, encerrou 2016 na sua pior marca desde 2000. No primeiro trimestre deste ano, essa taxa subiu um pouco, mas nada que possa ser considerado uma reação. Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre investimentos só separam as contribuições do governo e do setor privado com dois anos de defasagem. As estimativas do Cemec levam em consideração os números do IBGE e estatísticas de outras fontes. Carlos Antonio Rocca, diretor do Cemec e autor do estudo, diz que, para sustentar expansão da atividade econômica de 3% a 4% ao ano, a taxa de investimento deveria girar em torno de 20% do PIB. Algo próximo de países como Chile, Peru, México e Colômbia, que, em percentual do PIB, investem respectivamente, 21,7%, 22,8%, 23,2% e 25,4%, segundo o FMI.
POUPANÇA
A taxa global de poupança doméstica —o dinheiro disponível para investimentos— encerrou 2016 no menor nível desde 2001 (13,9% do PIB). Mas a poupança do governo assumiu trajetória diferente da observada no setor privado. O setor público não poupa. Empresas e famílias poupam, mas investem cada vez menos no setor produtivo. O setor privado tem economizado em níveis acima da média histórica, ao mesmo tempo em que o governo "despoupa" —ou seja, apresenta deficit em suas contas. A taxa de poupança do setor privado alcançou 19,9% do PIB em dezembro, maior patamar atingido desde 2007 e acima da média de 18,9% do PIB registrada desde 2000. Já o governo saiu de uma taxa de poupança baixa, mas positiva, de 0,6% do PIB em 2012, para uma negativa de 6,1% em dezembro passado —o pior resultado desde 2000 e um sinal do profundo agravamento das contas públicas. A redução dos investimentos do setor privado não é um fenômeno novo, mas tem se agravado nos últimos anos, diz Samuel Pessôa, pesquisador associado do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas). A combinação do desequilíbrio fiscal estrutural com uma taxa de poupança pública muito baixa, diz Pessôa, resulta em taxas de juros reais elevadas, que encarecem investimentos e inibem o financiamento do setor privado. Para Pessôa, a melhor forma de enfrentar a questão seria equacionar o desequilíbrio das contas do governo, elevando a poupança do setor público e abrindo espaço para a queda dos juros reais.
Sem o ajuste fiscal, diz Rocca, e mantida a taxa atual de investimento na economia, além do baixo crescimento da produtividade, o potencial de crescimento do país hoje não passaria de 1,5% a 2% ao ano. A crise política e as dúvidas sobre a recuperação econômica podem reduzir ainda mais esse número, afirma. 

NOVO TELESCÓPIO DA NASA PODERÁ VER AS PRIMEIRAS GALÁXIAS DO UNIVERSO, DIZ ASTRÔNOMA BRASILEIRA
Existe uma grande ansiedade para o lançamento do Telescópio Espacial James Webb, em outubro do ano que vem, sobretudo em conexão com o estudo de exoplanetas e a busca de potenciais evidências de habitabilidade e vida fora do Sistema Solar. Mas, quando o próximo grande observatório da Nasa foi projetado, seu objetivo era outro: sua missão principal era — e continua sendo — observar as primeiras galáxias do Universo. Quem conta essa história é Duília de Mello, astrofísica, pesquisadora associada da agência espacial americana e vice-reitora da Universidade Católica da América, em Washington (EUA). “O que ele foi feito mesmo para fazer é observar as primeiras galáxias. A gente não sabe quando as primeiras galáxias se formaram. A gente não sabe nem se teve uma primeira geração de estrelas e depois surgiram as galáxias, e é isso que o James Webb vai tentar ver”, afirma a pesquisadora. Por essa razão, e diferentemente do Hubble, o novo telescópio será um observatório exclusivamente capaz de detectar luz infravermelha. Como o comprimento de onda da luz se estica ao atravessar grandes distâncias, em razão da expansão cósmica, o que era ultravioleta lá nos confins do Universo chega aqui já como infravermelho. “A gente vai conseguir então ver as primeiras galáxias, [que se formaram há] 13,5, 13,4 bilhões de anos. Essa é a ideia de observar com o James Webb, e é isso que eu quero fazer também — quero ver ‘baby galaxies’, galáxias bebezinhas, se formando”, conta Duília. Os resultados que o novo telescópio trará com exoplanetas também empolgam a cientista. “Depois vamos ter de ter uma missão dedicada a exoplanetas, mas com o James Webb já se espera que se possa fazer alguma coisa transformadora, algo que vá ser legal”. Em termos de pesquisa de exoplanetas, o foco estará sobre os mundos a orbitar estrelas menores e menos brilhantes — as anãs vermelhas, como Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol. Contudo, há grande discussão entre os astrônomos se planetas na zona habitável dessas estrelas poderiam ou não ter ambientes favoráveis à vida. O James Webb pode ser o tira-teima neste caso. Antes que ele possa fazer isso, contudo, o telescópio precisa ser lançado e funcionar corretamente. E Duília de Mello afirma que, no momento, esta é a maior preocupação de todos os envolvidos com o projeto. “Ele vai abrir [no espaço] igual a um guarda-chuvinha, e são 65 pontos de abertura. Se um desses der errado, são muitos bilhões de dólares, muita gente a perder o sono. Essa é a ansiedade atual”. Confira a seguir o que Duília de Mello tem a dizer sobre a inserção das mulheres na ciência, o que está reservado para o futuro do Hubble, qual telescópio a Nasa pretende lançar depois do James Webb, que pesquisas ela está conduzindo agora e qual foi a grande questão científica que já chegou a tirar seu sono, na entrevista completa.

CABRAS AJUDAM DONOS DE MANSÕES DA CALIFÓRNIA A EVITAR INCÊNDIOS
Há 21 anos, George Gonzales "salva mansões" dos incêndios de verão na Califórnia com um exército de cabras que comem tudo o que pode arder no mato antes de surgir a primeira faísca. "Se a casa queimar, você pode reconstruir, mas fotos e objetos pessoais, por exemplo, você perde para sempre. É preferível ter cabras em volta da sua casa, cuidando do seu terreno para que não pegue fogo", explicou à Agência Efe Gonzales, proprietário do Ranchito Tivo Boer Goats, na cidade de Chino, na Califórnia. Gonzales não gostava dos animais até se casar com a veterinária Elizabeth, que o mostrou o amor por burros, vacas, galinhas, cachorros e cabras. Em 1996, ele começou a oferecer o serviço de corte de mato com o pastoreio de cabras e hoje possui um rebanho de 400 da raça "Boer" da África do Sul, atendendo diversos clientes do sul da Califórnia. Os que dão preferência ao uso desses animais enxergam muitas vantagens: elas não dão defeito, não fazem barulho e quando fazem as necessidades ajudam a fertilizar a terra. "Se você colocar pesticida pode matar a planta e os animais. Com as cabras é natural. É como se fazia antigamente", disse Gonzales, que conhece pelo menos outros dez ranchos como o seu que usam os animais para evitar incêndios no estado. Para a prefeitura de Duarte, por exemplo, ele pastoreia 100 animais que ajudam a reduzir em 7,6 centímetros de altura o mato, "para que existam raízes vivas ao chover e não acontecer um deslizamento". No ano passado, terrenos com torres de energia elétrica pegaram fogo, o que poderia ter sido evitado com as cabras, já que empregar força humana para aparar o mato é caro. "O empregado vale mais dinheiro. As prefeituras pagam US$ 28 (cerca de R$90) e a cabra custa U$1 por dia (US$3,20)", ponderou Gonzales, completando que os animais também não precisam de benefícios ou pensões. Com 200 bichos, Gonzales poda 1 acre (4.050 metros) por dia e por isso recebe, aproximadamente, US$ 400 (cerca de R$ 1.300). Troy Wittenbrock, gerente de serviços de Duarte, disse à Efe que há oito anos a prefeitura trabalha com os pastores de cabras para prevenir incêndios e assim protege propriedades de até US$ 1 milhão. "Não gostamos de usar equipamentos mecânicos no mato seco porque pode pegar fogo. Por isso preferimos usar as cabras. Com elas fica mais barato", argumentou. Já Diley Greiser, paramédica do Departamento de Bombeiros do Condado de Riverside, contou à Efe que certa vez recebeu uma chamada de atendimento em Mijai Valley de um incêndio que começou exatamente quando uma pessoa começou a cortar o mato com máquina ao meio-dia, no auge do calor. "Acho maravilhoso essa maneira antiga de limpar o gramado nos parques e nas casas, porque é uma forma natural que beneficia a terra", destacou. Na Califórnia, 95% dos incêndios acontecem por negligência ou razões intencionais, de acordo com o Departamento Florestal e de Proteção contra Incêndios da Califórnia (Calfire). Atualmente, 11 estão ativos. Gonzales trabalha com a ajuda de mais duas pessoas, que transportam os animais e instalam os bebedouros, e fica satisfeito em saber que contribui para "salvar casas" do fogo. "As pessoas são agradecidas. Elas gostam porque estamos cuidando da propriedade delas, concluiu. 

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