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segunda-feira, 29 de maio de 2017

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CASAL FUNCIONAL
por Solange Maria Rosset*

Quando ouvimos casais ou avaliamos o relacionamento vemos que cada par tem suas próprias razões para se tornarem ou continuarem a ser casal. As pessoas de fora da relação podem gostar ou não, aprovar ou não, mas, só cabe ao casal tomar decisões sobre isso.
No entanto, se olharmos um relacionamento como um espaço que pode ser usado pelos envolvidos para crescimento e aprimoramento individual e da relação, torna-se importante refletir se o relacionamento está cumprindo essa função.
Ser um casal em desenvolvimento pressupõe estar, de alguma forma, fazendo uso e desenvolvendo essas funções.
A primeira é a tarefa de servirem de continente e aconchego para curar as dores e dificuldades dos relacionamentos externos. Isso significa que atacar os erros e as dificuldades que o parceiro/parceira tem na vida profissional, familiar e social não ajuda e não ensina. Aprender a dar colo, atender, mudar de assunto, inserir cuidados e aconchego quando o outro chega machucado pelo estresse da vida externa, é uma forma de amar, respeitar e criar um espaço de afeto e qualificação. Se por acaso, enxerga onde o outro poderia ter feito de uma forma mais adequada, cuide, atenda e depois, num outro momento sugira o que lhe parece ser uma melhor forma de lidar com as dificuldades.
Outra função importante é do casal poder criar um modelo novo de atitudes e comportamentos. Ao se tornarem casal, podem realmente criar uma forma nova de se relacionarem com as famílias de origem, com os amigos, com o trabalho, e todos os outros sistemas que se relacionam. Poder discutir, refletir e juntos definirem o que e como farão, como um novo sistema, com suas próprias prioridades, escolhas e decisões é a grande liberdade e criatividade que o casal pode exercitar. Isso significa que ao invés de duelarem e competirem pelo seu jeito – ou o jeito da sua família de origem – de organizarem a vida, eles podem definir novos jeitos. Essa redefinição, de acordo com as condições específica deles, abrangerá o que comem, como lidam com a roupa suja,  quando visitam as famílias, como receberão os amigos, como lidarão com o dinheiro, as tarefas, os direitos e deveres. Sem competição mas com parceria e criação.
Na minha compreensão, essa é a forma do casal poder fazer diferença e melhorar o mundo; pois aprendendo isso, ensinará aos seus filhos, que funcionarão assim, e levarão aos seus próprios filhos essa forma de funcionar em casal.

(*) Solange Rosset, psicóloga e terapeuta relacional em Curitiba (PR), é autora de vários livros, entre eles O Casal Nosso de Cada Dia e Pais e Filhos - Uma Relação Delicada, ambos pela Editora Sol. E-mail: srosset@terra.com.br  Site: www.srosset.com.br

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