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terça-feira, 23 de maio de 2017

TEXTO DO BLOG

TÁ CHOVENDO PARA CIMA
 por Murillo de Aragão*

O presidente Temer falou. Pagou pra ver. Jogou a crise pro campo jurídico, terreno de sua especialidade. Prometeu provar que não comprou o silêncio de ninguém. Terá condições de parar a engrenagem?
Temer tornou-se um político frágil numa velocidade jamais vista na República. De presidente poderoso e reformador, em questão de minutos, teve seu poder dramaticamente reduzido.  A ponto de muitos de seus aliados considerarem sua situação insustentável e o mercado ter ficado muito desanimado. Tudo com base na  crença de que “O Globo tem mais” a falar sobre.
Michel Temer, como homem de coragem, foi um dos poucos a sair a público para se defender e defender o governo. O outro foi Eliseu Padilha. Apesar de Temer ter sido  firme e vigoroso,  seus aliados ainda estão em estado de choque.
Mas o tamanho da crise o torna o passageiro da crise. A segunda vítima das denúncias, é o processo de reformas. Sem definir o futuro de Temer nada vai acontecer.  A terceira vítima poderá ser a maioria que Temer tinha a seu favor no TSE.
Moro em Brasilia há 30 anos, sou testemunha de todas as categorias possíveis e imagináveis de crise, já vi ministros e presidentes caírem de forma espetacular, sei como se formam as metasteses politicas e os caminhos de cura.
A essência desta, porém, é quase o “sobrenatural da silva” dos acontecimentos, como diria Nelson Rodrigues.  Deve ser por isso que um amigo de infância me telefonou depois do JN dizendo: “Tá chovendo pra cima”.

(*) Murillo de Aragão é cientista político

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