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quarta-feira, 26 de abril de 2017

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ÁGUA E PODER
por Luiz Soares das Terras Nordestinas*

O mundo como aldeia global vive a era da comunicação. Noticias e reportagens especiais, nos faz defrontar com algo que, para nós seria diferente; mas, em verdade nos mostram o quanto somos semelhantes.
O maior celeiro mundial na produção de alimentos - a Califórnia, nos Estados Unidos, durante um período de quatro anos, de secas consecutivas, mostra ao mundo o desfecho de uma realidade dantesca. Água e a expansão ilusionista da produção irrigada, em larga escala. Água como poder econômico, tratada como sendo commodities. Água como apogeu para poucos e desgraça para milhões.
A Califórnia ao promover a sistematização quanto ao uso da água do rio Colorado, criou uma revolução na agricultura irrigada mundial. Milhões de hectares foram inseridos no processo produtivo. Diversificação, produção, produtividade e renda surgiram como exemplo, supostamente se consagrando como sendo a maior revolução agrícola do planeta.
O governo e suas leis controlavam o uso consuntivo da água. Com o surgimento do primeiro ano de seca, os agricultores buscam nos aquíferos subterrâneos as suas opções. À medida que a oferta natural de agua, controlada e distribuída via canais vão secando, mais e mais se aumentou a perfuração de poços. A demanda vai se tornando altíssima e poços de pouca profundidade, também vão sendo exauridos.
Grandes áreas plantadas vão sendo erradicadas, como forma de minorar a perda total. Enquanto isto, mais e mais se aprofunda a captação de água nos aquíferos. Paralelamente, muitos Condados sofrem por falta de água para o mínimo abastecimento humano e animal. O caos fica exposto e generalizado!
Eis que surge a lei da oferta e da procura. Muitos agricultores veem surgir um filão comercial, quanto à venda de água. Melhor perder o plantio e lucrar com a venda do produto. Pronto. A água passou a ser tratada, nos moldes comerciais das grandes commodities. O carro pipa virou símbolo oficial.
Nesta desenfreada inversão de valores, se esqueceram de que também os aquíferos subterrâneos são finitos; e assim, se depararam com outra realidade. Muitos aquíferos exauridos, desta feita, comprometendo a sobrevivência humana e animal.
Instalado o caos se busca a curtíssimo prazo uma Lei para doutrinar o uso da água dos Aquíferos Subterrâneos, a exemplo da água superficial e, aquela distribuída pelo governo, advinda de um processo de redistribuição de água - transposição!
Portanto, qualquer semelhança com o Nordeste Semiárido Brasileiro, seria ou poderia ser de mera coincidência?

(*) Luiz Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

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