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quinta-feira, 13 de abril de 2017

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FINALIDADES DO CASTANHÃO
por Cássio Borges*

O açude Castanhão tem características funcionais e operacionais diferentes das dos açudes construídos pelo Dnocs, visto que, além de regularizar vazões, é previsto para controlar enchentes no Baixo Jaguaribe. Do ponto de vista hidrológico, tem duas finalidades: da cota 55m (leito do rio Jaguaribe) até a cota 100m, acumula 4,4 bilhões de m³, é a cota de regularização de vazões; e da cota 100m até a cota 106m, acumula 2,3 bilhões de m³, é o “volume de espera” evitar inundações catastróficas no Baixo Jaguaribe. O “volume de espera” deve, sempre que possível, estar vazio, à “espera de uma enchente excepcional”.
O leitor deve estar lembrado que, no fim do inverno de 2009, houve uma grande discussão por meio da mídia, e também na Assembleia Legislativa, envolvendo até mesmo o Governador do Estado e o então diretor geral do Dnocs: “se as comportas do Castanhão deveriam, ou não, serem fechadas”. A decisão foi a de que as comportas deveriam ser fechadas para “acumular o máximo possível de volume d’água”. Assim, o “volume de espera”, que deveria estar vazio, foi, incorretamente, enchido e a barragem passou a acumular 6,7 bilhões de m³.
Pelo visto, houve um erro de gestão do açude, que poderia ter ocasionado graves consequências, pois, se tivesse havido, naquela ocasião, uma chuva de 100 ou 120 milímetros, os diques de terra, auxiliares da barragem, poderiam ter sido rompidos ocasionando, uma tragédia no Baixo Jaguaribe. Não obstante, graças a esse erro de gestão, a barragem, excepcionalmente, ganhou um volume adicional de 2,3 bilhões de m³ de água, que hoje está sendo responsável pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de Fortaleza. Se assim não tivesse sido, desde o início do ano passado, ou até mesmo antes, o referido reservatório já teria secado.
No nosso entendimento, o “volume de espera” nunca deve ser usado para acumular “mais água” acima da cota 100m, a indicada para “regularização de vazões”. No inverno de 2009, a barragem correu risco de romper, só não provocando uma catástrofe quando decidiram abrir as comportas que ocasionaram uma enchente (artificial) no Baixo Jaguaribe. Outra decisão, a nosso ver, também errônea, que deve ter provocado problemas de cavitação e forte vorticidade, quem sabe (?), teriam provocado, já naquela ocasião, as fissuras na parede da obra.
Esperamos que erros semelhantes não mais sejam repetidos para preservar a segurança desse empreendimento e da própria população jaguaribana.

(*) Cássio Borges é Engenheiro civil - borgescassio@hotmail.com

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