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quarta-feira, 12 de abril de 2017

TEXTO DO BLOG

TRANSPOSIÇÃO – UMA BANDEIRA SEM PÁTRIA.
por Luiz Soares*

O país continua assustado e indignado com tantas notícias de roubos, pessoas presas e dinheiro repatriado de paraísos fiscais. São acontecimentos que maculam até mesmo a mais prodiga das inteligências, a luz da ótica da Ética, da Cidadania e da Honestidade dos nossos dirigentes.
A maratona não mais exclui nenhum dos três poderes. Estamos à mercê dos acontecimentos, num compasso de espera, que emperra, inibe, macula a vontade, de ao menos entender o tamanho do descalabro. No mais, também se constata o fomento a um desvio perigoso, envolvendo crianças e a juventude, especialmente nas escolas e universidades públicas, culminando na feitura e propositura a um comportamento pernicioso a ordem democrática.
As raízes do aparelhamento se estendem especialmente, no amago das classes menos favorecidas, menos aquinhoadas para com os serviços essenciais básicos, como dever do estado. Sem entenderem, se comportam como zumbis, vagando nas praças e periferia dos grandes centros, sem contar, com os vexames estruturais inexistentes no meio rural brasileiro.
A razão vem da ideologia, do populismo descarado, tendo como cenário a carência e sofrimento de uma considerável quantidade de brasileiros, sem amparo institucional, por isso mesmo são transformados e manipulados ao sabor das necessidades. São propositadamente induzidos a se transformarem em vítimas, onde o estado seria o grande responsável. Tudo no sentido de venha a nós e nada ao vosso reino. Sempre na espera das benesses que nada suprem; mas, sim, escraviza e torna o cidadão num eterno dependente do estado.
A mais marcante apologia ao populismo nos chega com a Transposição do Rio São Francisco. Uma obra por séculos altamente necessária. Temos consciência disto, como nordestino residente e sobrevivente, nas terras do semiárido brasileiro. É bom lembrar que a necessidade e o sofrimento não escolhe cara, crédulo religioso ou certidão de honestidade, de quem supostamente promove uma forma de ajuda, capaz de abolir o sofrimento.
Diria eu que isto se consagra como sendo o gosto amargo da gratidão. Um aplauso de meio termo, meia banda, meia forma de sentir, agradecer e; ao mesmo tempo, poder ficar indignado com tamanha vontade de negar o obvio. Seria oportuno usar o termo de um ladrão bem intencionado, com relação a uma carência crônica de água na região ou um ladrão que viu a possibilidade de aumentar e engordar o volume da sua costumeira propina via superfaturamento da obra?
Pois bem. O Partido dos Trabalhadores, tendo como ícones os dois últimos presidentes, mesmo imundos com a lama da corrupção, aproveitam o momento para tentar se consagrarem como salvadores, puxando para si, a autoria e até mesmo a paternidade da obra. Neste diapasão, uma coisa é a água e a outra seria o oportunismo, diante de um quadro que denigre a figura de um nordestino pobre que se transformou num dos maiores símbolos da roubalheira nacional e internacional.

(*) Luiz Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

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