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terça-feira, 25 de abril de 2017

RAPIDINHAS DO BLOG...

EM TRÊS ANOS, PRINCIPAIS EMPRESAS CITADAS NA LAVA JATO DEMITIRAM QUASE 600 MIL
A recessão, a queda do preço do petróleo, a redução dos gastos do governo e a Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás, empreiteiras e agentes do governo, tiveram efeito devastador no emprego. Levantamento realizado com dez das maiores empresas citadas na Lava Jato mostra que, somente entre funcionários diretos e terceirizados dessas companhias, o corte de vagas entre o fim de 2013 (antes da deflagração da Lava Jato, em março de 2014) e dezembro de 2016 foi de quase 600 mil pessoas. Analistas apontam que o efeito foi ainda maior, quando se consideram as vagas indiretas. Empresas do setor de óleo e gás, como a Petrobrás, foram afetadas pela redução da cotação do petróleo, que hoje está próxima de US$ 50. Já as grandes construtoras e incorporadoras tiveram de lidar com o alto endividamento da população, que deixou de comprar imóveis, e com a conclusão – ou interrupção – de projetos de infraestrutura, diante da deterioração das contas do governo. A conta de 600 mil postos de trabalho fechados mostra um impacto considerável – equivalente a 5% do total de pessoas que entraram na fila do desemprego entre 2013 e 2016, que foi de 11,2 milhões. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o total de desocupados no País era de 1,1 milhão em dezembro de 2013; no fim de 2016, o número havia crescido para 12,3 milhões. Após um período de longa bonança, as companhias envolvidas na Lava Jato vivem momentos de dificuldade e tentam se reestruturar. As construtoras Queiroz Galvão, Engevix, OAS e Mendes Júnior estão entre as que pediram recuperação judicial. A Sete Brasil, empresa criada pela Petrobrás para a construção de sondas de petróleo, está na mesma situação.
FALTA DE EQUILÍBRIO
Os cortes de vagas são impressionantes, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), porque muitos projetos de expansão se basearam em previsões pouco realistas. Pires afirma que, após a descoberta do petróleo do pré-sal, instalou-se um clima de euforia que levou à tomada de decisões de governo – e de negócio – sem sentido econômico.
Pires cita como exemplos a determinação de que a Petrobrás fosse operadora dos campos do pré-sal e a criação da Sete Brasil. “A Petrobrás não tinha condições de fazer o trabalho de exploração sozinha. Essa decisão espantou investimentos estrangeiros que hoje seriam bem-vindos”, frisa o diretor do CBIE. O sinal verde para a construção das sondas do pré-sal, lembra Pires, foi baseada em uma previsão de produção de quase 5 milhões de barris de petróleo por dia até 2020. Em 2013, a projeção foi reduzida a 4,2 milhões; dois anos depois, houve novo corte, para 2,8 milhões de barris diários. Essa falta de critério, segundo o economista Sérgio Lazzarini, professor do Insper, influenciou o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que acelerou a concessão de empréstimos, e também o Banco do Brasil e a Caixa, que inflaram o crédito mesmo quando a economia já dava sinais de exaustão. “O que essa gastança nos trouxe de benefícios? Acho que esse modelo de desenvolvimento mostrou que é preciso dosar a participação do Estado na economia”, diz Lazzarini. Os efeitos colaterais da Lava Jato – o desemprego, a revelação de intricados esquemas de corrupção e o abalo à reputação de grandes companhias – levaram, pelo menos momentaneamente, a uma mudança no curso da economia. Hoje, diz o professor do Insper, o lema é a redução de gastos públicos e a abertura de vários setores a investimentos externos, entre eles infraestrutura e companhias aéreas. A manutenção deste caminho não é garantida, na visão de Lazzarini. Ele acredita que ainda há risco de uma “guinada” populista no País como reação à crise. “Basta ver o que aconteceu nos Estados Unidos, com Donald Trump. Quando se olham os candidatos para a eleição presidencial de 2018, é muito difícil fazer uma previsão para onde vamos.”

PRINCIPAIS CORTES
Por seu porte, a Petrobrás fez os maiores cortes em termos absolutos entre as companhias consultadas (leia mais abaixo), mas houve reduções relativamente maiores, como o da Engevix, que diminuiu seu efetivo em 85%. Os dados do quadro ao lado foram repassados pelas próprias empresas. Algumas empresas esperam uma chance de voltar à ativa. É o caso da Sete Brasil, que chegou a movimentar 15 mil trabalhadores nos estaleiros que contratava para construir suas sondas, segundo fontes. Hoje, a atividade da Sete se resumiria a 20 funcionários. A companhia aguarda a aprovação de seu plano de recuperação no início de maio. Segundo o Estado apurou, a expectativa é contratar até 2 mil trabalhadores para a retomada das sondas. Procurada, a Sete Brasil não quis comentar nem fornecer dados oficiais sobre sua força de trabalho.
JUSTIFICATIVAS
Algumas das empresas consultadas destacaram que, além da Lava Jato, outros fatores contribuíram para a redução de seus quadros. A Odebrecht lembrou da crise que abateu o País nos últimos anos e disse estar “comprometida em voltar a crescer e contribuir com as comunidades nos locais onde atua”. A Andrade Gutierrez afirmou que seus dados são afetados por reduções de ritmos de obras ou o encerramento das mesmas – justificativa que também se aplica às demais construtoras. A Promon também afirmou ter sido afetada pela redução dos investimentos em infraestrutura no País.

TECNOLOGIAS PODEM RESFRIAR O PLANETA E EVITAR UMA CATÁSTROFE
Vocês se lembram do filme "Expresso do Amanhã"? Nesse delirante thriller de ficção científica do diretor coreano Bong Joon-ho, uma tentativa de reverter o aquecimento global acaba tendo um resultado terrível. O planeta congela. Apenas os passageiros de um trem que nunca para de viajar em torno da Terra conseguem sobreviver. Os da primeira classe comem sushi e bebem vinho em abundância. As pessoas da terceira classe comem barras de proteína feitas de baratas. É sério. Os cientistas precisam começar a estudar essas coisas. As notícias sobre o clima estão se tornando alarmantes ao longo dos últimos meses. Em dezembro, os cientistas revelaram que as temperaturas de algumas partes do Ártico estavam em torno de 20º C acima das médias históricas. Em março, outros relataram que o gelo do Ártico havia caído para os níveis mais baixos da história. O oceano mais quente já havia matado uma enorme parcela da Grande Barreira de Corais na Austrália. Vamos falar sério agora. As chances de desacelerar, ou mesmo de parar esses processos por meio do uso de mais painéis solares e turbinas de vento já eram pequenas antes mesmo da eleição de Donald Trump. Agora é provável que Trump trabalhe para minar a estratégia do presidente Barack Obama de reduzir as emissões de gases do efeito estufa. É aí que entra a engenharia climática. Em março, os pesquisadores de ciências físicas e sociais que estão interessados no aquecimento global se reuniram em Washington para discutir abordagens como o resfriamento do planeta por meio do uso de aerossóis na estratosfera ou da criação de nuvens brancas para refletir a luz do sol de volta para o espaço, que podem ser indispensáveis para evitar as consequências desastrosas do aquecimento global. Os aerossóis podem ser instalados em aeronaves militares e jogados na atmosfera em grandes altitudes. As nuvens marinhas podem ser mudadas para refletir mais luz solar por meio da inclusão de uma névoa salina, retirada diretamente dos oceanos. A principal prioridade deve ser a redução da emissão de gases do efeito estufa para alcançar e superar as promessas feitas durante o encontro climático de Paris, em dezembro de 2015. Contudo, conforme Janos Pasztor, diretor da Iniciativa Carnegie de Governança e Geoengenharia Climática, me disse, "a realidade é que talvez precisemos de mais ferramentas, mesmo que consigamos atingir esses objetivos". O dióxido de carbono que a humanidade liberou na atmosfera já está gerando mudanças mais velozes e profundas no clima e nos ecossistemas globais do que o esperado até pouco tempo atrás. A não ser com o surgimento de uma tecnologia relativamente barata - algo improvável no futuro próximo, de acordo com muitos cientistas -, o gás carbônico vai continuar na atmosfera por um bom tempo, tornando-a ainda mais quente nas próximas décadas. Para resolver o problema climático será necessário cortar a zero as emissões de gases do efeito estufa, idealmente ainda este século, além de provavelmente eliminar parte desses gases da atmosfera. Entretanto, a geoengenharia solar pode ser um complemento fundamental para mitigar os efeitos, dando à humanidade o tempo necessário para desenvolver a vontade política e as tecnologias necessárias para atingir a descarbonização da atmosfera. Com Trump afastando os EUA - o segundo maior responsável por emissões de poluentes do mundo, atrás apenas da China - dos acordos internacionais, a geoengenharia parece ainda mais atraente. "Se os Estados Unidos começarem a andar para trás ou deixarem de caminhar rápido o bastante com a redução das emissões, mais e mais pessoas começarão a conversar sobre essas outras opções", afirmou Pasztor, ex-secretário-geral assistente de mudança climática nas Nações Unidas. Embora muitos pesquisadores reunidos em Washington tenham expressado preocupação em relação ao uso de tecnologias de geoengenharia, houve um consenso praticamente universal em relação à necessidade de investir mais dinheiro em pesquisa - não apenas na tentativa de resfriar a atmosfera, mas também nos potenciais efeitos colaterais dessas medidas sobre a química atmosférica e os padrões climáticos em diferentes partes do mundo. Mesmo que se saiba que a gestão de radiação solar pode ajudar a resfriar a atmosfera, o temor de que a pesquisa de campo se pareça demais com a prática contribuiu para limitar a pesquisa apenas a modelos virtuais dos efeitos e a experimentos em pequena escala realizados nos laboratórios. O mais importante, destacam os acadêmicos, é que a pesquisa inclua um debate internacional e aberto a respeito das estruturas de governança necessárias para colocar em prática uma tecnologia que, de uma hora para a outra, poderia afetar todas as sociedades e sistemas naturais do planeta. Em outras palavras, a geoengenharia precisa ser compreendida não como ficção científica, mas como uma possível parte do futuro nas próximas décadas. "Atualmente esse assunto ainda é tabu, mas é um tabu que tem os dias contados", afirmou David Keith, um famoso físico da Universidade de Harvard que organizou os especialistas da área. Os argumentos contrários à geoengenharia são similares aos contrários a organismos geneticamente modificados. É perigoso bagunçar a natureza. Mas existem razões mais práticas por trás das preocupações com o uso de tecnologias tão radicais. Como elas afetariam o ozônio da estratosfera? Como os padrões de precipitação seriam transformados? Além disso, como mundo poderia estar de acordo com uma tecnologia que teria impactos diferentes em regiões diferentes do planeta? Como o mundo iria equilibrar o benefício global de uma atmosfera mais fria com mudanças enormes nas chuvas de monção do subcontinente indiano? Quem tomaria as decisões? Os Estados Unidos concordariam com isso caso o Meio-Oeste americano ficasse mais seco? A Rússia permitira que os portos do norte fossem congelados? A geoengenharia pode ser tão barata que até mesmo países de renda média poderiam aplicá-la de forma unilateral. Alguns cientistas estimam que a gestão de radiação solar poderia resfriar a Terra rapidamente por menos de 5 bilhões de dólares ao ano. E se o governo Trump decidisse concentrar o combate às mudanças climáticas apenas em ações de geoengenharia? No fim das contas, nada disso iria funcionar. Se os gases do efeito estufa não forem retirados da atmosfera, o mundo voltaria a ficar quente de uma hora para a outra, assim que as injeções de aerossóis deixassem de ser aplicadas. Ainda assim, a tentação de combater o aquecimento global da forma mais barata, sem deixar de utilizar combustíveis fósseis será uma saída difícil de resistir, especialmente para um presidente que prometeu reativar a exploração de carvão mineral e que não parece se interessar pela diplomacia climática. Nas palavras de Scott Barrett, economista ambiental da Universidade de Columbia, que participou do encontro em Washington: "O maior desafio gerado pela geoengenharia provavelmente não é técnico, mas envolve a forma como governamos o uso dessas tecnologias inéditas". Essas considerações éticas deveriam ser levadas em conta por qualquer programa de pesquisa a respeito da gestão dos raios de sol. Talvez os pesquisadores devessem evitar financiamentos do governo norte-americano, que nega a existência do aquecimento global, para evitar a deslegitimação da tecnologia frente aos olhos do mundo. As pessoas precisam se lembrar do alerta dado por Alan Robock, climatologista da Universidade Rutgers, que nos alertou para o fato de que a pior consequência do uso da geoengenharia seria uma possível guerra nuclear. Entretanto, seria um erro limitar as pesquisas em torno dessa nova ferramenta tecnológica. Pode-se provar que a geoengenharia foi uma má ideia por uma série de razões. Mas só saberemos disso ao certo se continuarmos a pesquisar. A melhor forma de pensar a respeito das opções é oferecer uma avaliação dos riscos. De um lado da balança ficam todos os problemas que a geoengenharia pode causar. Eles precisam ser menos grave que os possíveis resultados de uma mudança climática profunda. Pensando nos termos das fantasias delirantes da ficção científica, os extremos provavelmente não serão entre um mundo de barras de proteína feitas de baratas, ou um mundo com energia limpa e acessível para todos. É mais provável que estejamos entre os biscoitos de barata e um mundo distópico e em ebulição.

MASTERCARD LANÇA CARTÃO COM LEITOR DE IMPRESSÕES DIGITAIS
A MasterCard anunciou uma nova tecnologia ideal para quem não consegue decorar suas senhas: um cartão de crédito com um leitor de digitais embutidos. Disponível na África do Sul, o cartão permite que usuários façam compras sem digitar a senha, exigindo apenas um leve toque no dispositivo para comprovar a sua identidade no ato da compra. De acordo com a empresa, o cartão de crédito funciona em máquinas convencionais, já que possui a mesma espessura dos cartões usados atualmente — ou seja, não haverá problemas na implementação da tecnologia e nem necessidade de atualização das máquinas. Para ter o cartão nos países disponíveis, então, basta solicitar para a instituição financeira e cadastrar a biometria. Para realizar as compras, o procedimento é o mesmo que é feito em transações normais: o cliente insere o cartão na máquina e aguarda. No momento da validação, ao invés de inserir a senha, ele coloca o dedo no sensor biométrico. Neste momento, a máquina libera a compra como se a pessoa tivesse inserido a senha. “Seja desbloqueando um smartphone ou fazendo compras online, impressões digitais estão ajudando a entregar conveniência adicional e segurança”, disse o presidente da Mastercard, Ajay Bhalla, por meio de comunicado. A tecnologia começa a ser liberada para o público do país africano após realizar dois testes em supermercados e lojas de conveniências — ambos bem-sucedidos. Nos próximos meses, a tecnologia segue para testes na Europa e na Ásia. A empresa, no entanto, ainda não possui previsão de quando o cartão de crédito biométrico deverá ser liberado nos demais países que a MasterCard opera.
TENTATIVA
Esta não é a primeira vez que a Mastercard tenta estimular os consumidores a deixar de usar senhas. Em julho de 2015, a empresa anunciou que estava desenvolvendo um sistema que aprova a compra após o dono do cartão tirar uma selfie. Segundo a empresa, o recurso, que ainda não foi lançado comercialmente, pede que o cliente tire uma foto de si mesmo na hora da compra. Um sistema de reconhecimento facial identificará se ele é o dono do cartão. A empresa não é a única a postar na biometria para garantir a segurança de transações financeiras. Além dos grandes bancos, fabricantes de smartphones também passaram a incorporar o recurso em diversos novos modelos de aparelhos, com o intuito de viabilizar compras online. Contudo, os sensores de digitais ainda não são à prova de fraude. Segundo especialistas em segurança, cibercriminosos podem usar impressões digitais falsas como uma espécie de “chave-mestra” para autorizar transações.  

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