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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

TEXTO DO BLOG

UMA BOMBA ESCONDIDA
por Luiz Soares da América do Sul*

Nada como um dia atrás do outro. Todo segredo será revelado. E assim a humanidade caminha, com as suas surpresas e preocupações do dia a dia.
O Nordeste semiárido continua sendo tratado como sendo o primo pobre da nação brasileira. A seca, mais uma vez entre tantas, segue incólume com a costumeira apatia dos poderes públicos. A temática que se aborda é o volume critico dos principais reservatórios a céu aberto, rios secos, carros pipas, cisternas, animais esqueléticos e moribundos, produção de alimentos na cota zero, altíssimas temperaturas, ventos anormais e umidade sem limites. No mais, os atores das estatísticas humanas, continuam silenciosos num quadro dantesco, sem água, sem alimento, sem produção, sem renda, sem dignidade e muito menos o direito a cidadania.
O país as voltas com os escândalos que se sucedem em progressão geométrica, esquece as amarguras de um povo. As forças vivas da democracia sucumbem no lamaçal, na podridão fétida que a república deixa exalar, justamente nos três poderes. Todos são déspotas, são cínicos, falsos moralistas, tentando a todo custo limpar ou se esforçando em protelar os seus julgamentos. A corrupção endêmica perpetuada, por longas e longas datas, mostra, deixa transparecer o quanto o eleitor se deixa manipular, por encantos ou desejos inatos de querer sempre levar vantagem; e, com isto, ser a peça chave para tantos descalabros.
Eis, o panorama que domina as manchetes dos principais meios de comunicação, nos tempos atuais. Por outro lado, é preciso ter em mente que a sociedade, que se coloca na posição de vítima crônica; é sim, parte desta aquarela desmoralizadora. Mas, o tema a ser abordado é outro, abissalmente oposto às notícias e aos comentários pertinentes. O tema é AGUA, dos mananciais ou aquíferos subterrâneos, mais especificamente do Jandaíra ou até mesmo do Arenito Assú.
A ânsia do petróleo fez a Petrobras cometer um dos maiores crimes ambientais, nos aquíferos do semiárido brasileiro. A perfuração de poços não respeitou a geologia nordestina, dominada pelo calcário fraturado. As cavernas naturais ou pulmões responsáveis pela dinâmica da recarga, em determinados momentos ficam secas. Assim durante a operação de prospecção do petróleo, ao se deparar com tais reservatórios, se adicionou toneladas e mais toneladas de produtos tóxicos, para a cimentação ou entupimento destas cavernas. Em algumas situações, tanques a céu aberto, para o acumulo do óleo bruto, em quantidade alarmante, sofreu um processo de infiltração, contaminando os aquíferos de relativa profundidade e até mesmo, gradativamente o arenito Assú.
Quando se fala nos trilhões roubados dos cofres públicos, a população se alarma e se indigna resolutamente. Mas, se afirmarmos que a tal contaminação irresponsável, dos aquíferos nordestinos é bem mais superior? Lá o roubo é de caráter financeiro, cá o desastre silencioso é de sobrevivência humana, animal e vegetal. Será que podemos quantificar em valores monetários a vida de milhões de brasileiros, que estão sendo contaminados, a cada gole de água consumida?
No mais é um somatório incalculável, dos desastres ecológicos, que o homem propositadamente tem cometido contra a vida próprio homem, ao desrespeitar, agredir, poluir, os nossos principais mananciais. E agora José?

(*) Luiz Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

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