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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

TEXTO DO BLOG

A BOLSA FAMÍLIA
por Luiz Soares da América do Sul*

Melhor começar postando um pouco da letra da música – Meu País: “Um país que engoliu a compostura, atendendo a políticos sutis, que dividem o brasil em mil brasil, pra melhor assaltar de ponta a ponta, pode ser o país do faz-de-conta, mas não é com certeza o meu país”. No mais, completando: ”Tô vendo tudo, tô vendo tudo; mas, fico calado, faz de conta que sou mudo”!
Existe algo no ar, que contamina sobremaneira a índole do povo brasileiro. Seria algo como a suposta indolência do índio com a genética perversa dos nossos colonizadores? Seria a prática herdada do tempo das Capitanias Hereditárias, onde o povo trabalhava e vivia à custa dos Senhores Feudais? Seria o modelo que a cana-de-açúcar nos presenteou mantendo praticamente o mesmo modus operandi do Senhor Feudal? Seria o clima, a geografia da América do Sul?
Preciso de algo que possa justificar a falta de uma atitude positiva, emancipativa, construtiva, desenvolvimentista que impera no país. Será o controle absoluto do estado, como forma mesquinha de toldar as águas que a falsa democracia nos vem demonstrando? Será a obrigatoriedade do voto? Será o estabelecimento de uma idade mínima, fugindo, por conseguinte, dos ditames da lei? Seria o processo perverso de manter classes sociais sob a batuta de um regime de força e assim poder manipular categorias assalariadas?
A dependência ocupacional, econômica, financeira e moral fez sucumbir à ética, a honestidade, a nacionalidade e o amor próprio de um povo, avido em viver nabescamente, no mundo fictício do faz de conta. Nesta balada comportamental, sempre se julga e se comporta como sendo um ente abandonado, excluído, dependente crônico, sem culpa. As mazelas enfrentadas, todos os dias e em todos os lugares, são de única e exclusiva responsabilidade do governo. 
A bolsa família foi uma invencionice, uma caridade à custa do poder público, que procurava dar uma satisfação ao mundo, quanto ao alarmante índice de miseráveis crônicos brasileiros. Uma miserabilidade restrita ao item alimento, pois a fome, o raquitismo e as doenças dela provenientes enchiam e continuam enchendo os hospitais da rede pública.
Na qualidade de um PROGRAMA sempre deixou muito a desejar quanto aos critérios para quem pode ser beneficiado. Primeiro a inclusão que em muito facilitou a entrada de pessoas antagônicas, em todos os sentidos da sua própria concepção. Os agentes do credenciamento são pessoas, que poderia dizer autênticos paus mandados, sujeitos, portanto a entrarem no conceito do proselitismo político. Não assumem nenhum tipo de penalidade, caso venha a ser comprovado qualquer tipo de fraude, com relação às informações prestadas e aceitas por esses escrutinadores sociais.
O número de usuários cresce astronomicamente; enquanto que, aqueles que obtiveram uma renda satisfatória, nunca movimentaram a contabilidade ou dinâmica do programa. Todos entram e ninguém sai. Nesta altura, a fome e o raquitismo continuam reinantes. Os hospitais e as maternidades bem atestam tais disparidades. No segmento escola, nunca se avalia a assiduidade e o rendimento escolar.
O pior dos piores males que o programa pode oferecer foi gerar a desgraçada categoria do comodismo, da preguiça, do viver à custa do governo. Por outro lado, se engana quem acha que o pagamento esteja sendo usado na aquisição de gêneros alimentícios básicos. Que nada, complementa a vaidade que a teoria do consumo implantou. Vivem cheios de cobranças, pela compra de supérfluos descartáveis, pagos em suaves e intermináveis prestações mensais.
Usa-se o Cartão como CARTA DE CRÉDITO, até mesmo para pagar um taxi, que serviu para procurar um marido perdido na noite. A agiotagem campeia abertamente. Enfim, um programa sem eira e nem beiras, só podendo ser entendido, com uma verdade que o Luiz Gonzaga tão bem se expressou: Mais doutor uma esmola, para um homem que é sã, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.

(*) Luiz Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

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