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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

TEXTO DO BLOG

A ORQUESTRADA DESMORALIZAÇÃO DA UNIVERSIDADE BRASILEIRA.
por Luiz Soares*

Um pequeno grupo de “ovelhas” pode botar todo um rebanho a perder? Claro que não!
Qual o conceito basilar que fundamenta a universidade no mundo contemporâneo? É claro que não se trata de uma simples titulação. Não seria simplesmente um título a exemplo de uma marca. O saber com a capacidade de trazer benefícios é uma marca registrada. O saber recheado com a ética e a honestidade é uma dadiva. O saber com a capacidade de curar, edificar, modernizar, moralizar, é um sacerdócio que dignifica a humanidade. O saber é um dom lapidado, numa oficina onde os mestres e os alunos são dignos e cônscios das suas responsabilidades, perante a sociedade que os financia.
Os grandes vultos da história a exemplo dos gênios são excepcionalidades. São por assim dizer uma cabeça acima da multidão. Ninguém multiplica geneticamente animais ou plantas que não possuam qualidades inatas, ou seja, que faz parte do indivíduo desde o seu nascimento; que nasce com o indivíduo; inerente ou congênito – da filosofia. Do latim inatus a. um – que não conseguiu nascer, cujo sinônimo seria natural, congênito, inerente ou ingênito.
A orquestrada desmoralização da “universidade brasileira” tem uma única justificativa, por sinal totalmente antagônico a uma promissora partitura, que seja capaz de enaltecer qualidades inerentes aos formandos e aos mestres, com reflexos diretos e positivos, quanto ao conceito e tradição das instituições de ensino superior. Ao contrário, a vulgaridade demagógica e a proliferação desenfreada de cursos e títulos, como manobra política e politiqueira, em caráter generalizado, se alastrou de forma institucionalizada.
A falta de caráter fez sucumbir o critério do mérito. A meritocracia já não mais impera, como qualidade. A meritocracia foi colocada na condição de demagógica, frente à omissão de uma nação, avessa ao esforço que a cidadania cobra de cada um de nós, sejamos alunos e ou professores. Os padrões que emergem da podridão, com seus atos de vandalismo, de nudismo, das agressões e desrespeito aos professores, ferem, agridem a moral de uma sociedade inerte, covarde de forma avassaladora.
O exemplo do país quanto à ordem constitucional, foi empurrada para a podridão ou padrão que o momento político deixa transparecer. Os poderes estão corrompidos. A moral se transformou numa jocosidade cheia de cinismo. Os agressores desfilam incólumes, como vítimas desalmada ou excluída, sob a cegueira de uma justiça, com notória aversão aos ditames dos bons costumes e da honestidade de princípios.
Eis, portanto o resultado do “abrir a porteira” do campo santo do saber. Da exaltação ao fundamentalismo promissor, em todos os sentidos que a vida nos impõe. A sociedade consciente de todas essas prerrogativas se comporta como anestesiada e propositadamente apática, mesmo sendo a fiel mantenedora financeira do sistema educacional.
Não esperemos nada quanto ao Regimento Acadêmico. Não deslumbremos a mudança do rumo, a caminho de novos horizontes na Universidade Brasileira. Não nos agarremos à rigidez de juízes como ator capaz de recompor todas as proposituras que o absolutismo inútil, nos mostra todos os dias, nas salas de aulas e corredores universitários. A academia se transformou num monstro sem virtudes, éticas e morais, que teima propositadamente se ramificar. Os laboratórios queimam como chamas no inferno de Dante, comparativamente aos desfiles cômicos e decadentes, nos Campus e Campi universitários.
Ainda bem que surge no horizonte sombrio, emergindo como uma Fênix capaz de poder interferir e mudar - OS PAIS. Essa fortaleza será e transformará com um inestimável diferencial, pois sabem que vagabundos não podem aniquilar a finalidade que o ensino superior se destina, a um mérito nato, que pode sim, possibilitar melhor qualidade de vida e cidadania aos seus filhos, aos nossos filhos e ao país. 

(*) Luis Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

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