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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

TEXTO DO BLOG

O SUJO E O MAL LAVADO
por Luiz Soares da América do Sul

Logo muito cedo, ainda jovem aprendi que, manda quem pode e obedece quem tem juízo. Foi essa a balada que dominou as entranhas da minha inesquecível forma de convivência familiar. No mais, o principal motivo de algumas parcas discordâncias, foi aquela em que tentei me safar, usando a mentira. Ai, nunca houve acordo e o pau sempre cantava.
Outro ponto relevante, nesta pauta em que tenciono abominar o uso do poder em benefício próprio, via corrupção, especialmente quando propositadamente se manipula pessoas, com a intenção de torna-la um eterno subserviente, devedor promíscuo, geralmente por temor. Entre nós, míseros mortais inquilinos do reino da beligerância, essa pratica recebeu a alcunha de COVARDE.
Pois bem. Admitindo o salutar emprego da meritocracia, não mais e não menos, senão aquele que demonstra conhecimento e capacidade de tomar decisão. Seria por assim dizer não um favor; mas, sim uma promoção consubstanciada nos seus atributos. O melhor deva sim fazer parte dos melhores, em todos os sentidos que a vida nos leva a crer. 
Uma pratica simples com o intuito de se melhorar o desempenho – eficiência e eficácia, em qualquer ramo da atividade social e econômica; especialmente aquelas em que são necessários, todos os esforços conjugados, pois o beneficiário seria a coletividade ou o bem estar e tranquilidade de uma empresa.
Eis o dogma que prevalece no mundo dos negócios, no mundo em que somos obrigados a pensar e agir como ator virtuoso. Infelizmente, se nos transportarmos para o mundo público do executivo, o parâmetro muda abissalmente. Então formulemos uma pergunta: A meritocracia existe no mundo político brasileiro? Direi eu, na atualidade não!
Não precisamos rebuscar nos alfarrábios da história, exemplos dignificantes quanto à meritocracia de grandes políticos brasileiros. Somente para não deixar ao largo, um nome que o momento possa exigir, lembremo-nos de uma figura notável - Rui Barbosa. Por sinal considerado patrono do Senado. Ah, melhor deixar essas lembranças amorosamente guardadas, pois não podemos e nem devem ser comparadas, considerando o “status quo” dos nossos representantes.
A base se fez construída nas efemérides do proselitismo. Um nada para si e muito menos para com a nação. A categoria virou classe social. Os serviços considerados essenciais foram transformados em estandartes inócuos. O direito individual foi vergonhosamente suplantado pelo suposto e manipulável direito coletivo. Antagonicamente, portanto a essência da Constituição que se diz guardiã dos direitos DO CIDADÃO. Eis, portanto a grande contradição, que o regime socialista de meia tigela, dominante no país conseguiu imprimir numa parcela significativa da sociedade brasileira.
Na maioria das vezes, ninguém se debruça para analisar as causas; mas sim e geralmente, por puro comodismo, os seus EFEITOS. Os argumentos são volúveis, tanto para os que defendem ou se posicionam contra, naquele exato momento. Diria ser essa a lei do oportunismo sem veracidade e autenticidade. Por isso mesmo, não consegue extirpar as causas degradantes que sobrevivem nas entranhadas do individualismo.
Contra fatos não existem argumentos. Porém saibamos e tenhamos consciência de que a solução nunca será encontrada fora; mas sim, dentro de cada um de nós. Para tal, lembremo-nos de antemão, que o sujo não o direito de condenar o mal lavado. Respiremos, pois, os novos e profícuos ares da cidadania com autenticidade! 

(*) Luis Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

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