Seja bem vindo ao "Blog do Borjão"

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

TEXTO DO BLOG

A CONSAGRAÇÃO DA UTOPIA
por Luiz Soares da América do Sul*

O mundo vive um dos maiores momentos no que diz respeito ao humanitarismo de um lado; e, do outro o despertar para a vida, como forma de consagração coletiva.
O considerado século da comunicação já começa a mostrar quem somos, como estamos e para onde vamos. A comunicação atua de forma instantânea e transparente em tempo real. Acabaram-se as fronteiras. Ruiu o isolamento responsável por encobrir regimes e situações incompatíveis com a sobrevivência do ser humano, num mundo globalizado.
O humanitarismo se faz pujante, não mais respeitando tratados ou isolamentos territoriais. Parece até que o corpo indolente e apático, indiferente, egoísta e materialista ganha uma nova cabeça. Não mais se analisam os efeitos; mas sim, as causas. Toda causa tem as suas razões e explicações estéreis, como muitos pensadores utópicos tentam consolar o inconsolável.
Não são mais os acontecimentos; mas sim, os fatos como objetos a serem perfeitamente esmiuçados, consubstanciados no princípio da racionalidade. Aceitar ou discordar é uma questão de maturidade. Um dom eminentemente de caráter individual. Por isso mesmo não importa o coletivismo. O coletivismo é o resultado do pensar e agir de forma harmônica, fundamentado na lógica da igualdade e da fraternidade, englobando todos os reinos do planeta. 
A individualidade se faz onipotente e onipresente, quando se tem a consciência da lógica. A lógica é pessoal e intransferível é, por assim dizer a marca registrada de cada um dos indivíduos que formam a coletividade. Ela tem e possui valores intrínsecos de sabedoria, inteligência, atitude e coragem.
Nestes moldes comportamentais, a coletividade é o espelho da razão advinda da individualidade de cada um, formando assim os mais diversos arranjos ou conglomerados. Portanto, pensar e agir são ferramentas que dignificam o ser humano, sem dúvidas ou, também pode se transformar num elo dissonante, dentro do sistema. Concordância ou o antagonismo da discrepância atitudinal, intelectual e motora será sempre, a grande diferença.
Razão sem reação é utopia, por isso mesmo, nunca deixará de ser um ato de omissão, de covardia. Aceitar o inaceitável é sim se deixar levar por uma onda, com propósitos nem sempre mensuráveis. Ser apático a uma situação que diz respeito à individualidade e as noções básicas do coletivismo, é abdicar do direito de se fazer autêntico. Não adianta culpar; mas sim, se julgar culpado em ver, compartilhar, sem reagir, esperando com isto, e com certa facilidade, se transformar numa eterna vítima do sistema.
A sociologia e a teologia do absurdo esquecem as mazelas adotadas pelo mundo contemporâneo. Fome ou consumismo? Instrução ou miséria? Liberdade e autonomia ou as falácias do fanatismo?  O amor incondicional ou os paradigmas das desigualdades? Ver sem olhar? Ouvir sem escutar?  Lutar ou correr? Viver ou morrer? Ser ou não ser, eis a questão!
A civilização desperta para os acordes dos fatos e conceitos de um mundo libertário. A liberdade é um gesto, uma atitude que nasce dentro de cada um, sem rótulos, sem limites ou fronteiras, a não serem aqueles que são cultivados propositadamente ou estão arraigados, dentro da índole tacanha, animalesca sem racionalidade, de cada um. A excepcionalidade será o grande diferencial.
Portanto e, por conseguinte, a autenticidade e a coragem serão as ferramentas indispensáveis, quando e por convicção própria e muito pessoal, possamos nos fazer presentes como exemplo e não como intermediários da utopia do absurdo.

(*) Luis Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

Nenhum comentário: