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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

RAPIDINHAS DO BLOG...

DEFICIT ACUMULADO DO ANO DO SETOR PÚBLICO JÁ SUPERA R$ 85 BILHÕES, DIZ BC
Em setembro, o setor público (União, Estados e municípios) registrou deficit primário de R$ 26,6 bilhões, de acordo com divulgação do Banco Central na segunda-feira (31). Com isso, o resultado negativo acumulado no ano chegou a R$ 85,5 bilhões, ante um rombo de R$ 8,4 bilhão no mesmo período de 2015. É o pior resultado tanto para o mês quanto para o período acumulado desde dezembro de 2001, quando se iniciou a série histórica do BC. No acumulado de 12 meses encerrados em setembro, as contas do setor público mostraram deficit de R$ 188,3 bilhões. O valor corresponde a 3,08% do PIB (Produto Interno Bruto), patamar recorde da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2002. A meta fixada na lei orçamentária para este ano é de um deficit de R$ 163,9 bilhões (2,6% do PIB) para União, Estados e municípios. O número inclui um resultado negativo de R$ 170,5 bilhões para o governo federal e um superavit de R$ 6,6 bilhões para os governos estaduais e municipais. Apesar de o montante acumulado em 12 meses já superar esse montante, até o final do ano o deficit será reduzido e deve convergir para a meta, já que em dezembro do ano passado o resultado negativo foi bem maior pelo pagamento das chamadas "pedaladas fiscais".
INSS
O governo central (Tesouro, Previdência Social e Banco Central) registrou deficit de R$ 26,4 bilhões no mês passado, influenciado principalmente pela Previdência Social (com um rombo de R$ 25 bilhões). Já os governos regionais tiveram resultado negativo de R$ 298 milhões. O número foi determinado pelo deficit dos estados, que foi de R$ 157 milhões em setembro (ante um superávit de R$ 634 milhões no mesmo mês de 2015) e pelo resultado negativo dos municípios, de R$ 141 milhões (ante um deficit de R$ 219 milhões em setembro de 2015). A dívida líquida do setor público alcançou R$ 2,7 trilhões no mês passado, o equivalente a 44,1% do PIB.
ENTENDA
Superávit ou déficit primário é o quanto de despesa ou receita o governo gera, após o pagamento de suas despesas, sem considerar os gastos com os juros da dívida. O resultado é divulgado de duas maneiras. A primeira divulgação leva em conta a economia ou despesa apenas do Governo Central, enquanto a segunda leva em consideração o saldo de todo o setor público (Governo Central, mais estados, municípios e estatais). Como o governo precisa reduzir a proporção da dívida pública em relação ao PIB, a economia de receitas tem sido usada para pagar os juros desses débitos de modo a impedir seu maior crescimento e sinalizar ao mercado que haverá recursos suficientes para honrá-los no futuro. Como o país está em recessão, com a arrecadação de impostos em queda, em um cenário em que as despesas continuam crescendo, esse resultado vem sendo negativo desde maio. 

PROJETO BRASILEIRO COLOCA PESSOAS COM SURDEZ NO MERCADO DE TRABALHO
Cerca de um em cada quatro brasileiros declara ter alguma deficiência, de miopia a cegueira, segundo o IBGE. Dependendo da limitação, a pessoa tem dificuldade para se integrar onde trabalha. É nesse gargalo que Larissa Majerowicz, 23, resolveu atuar enquanto estudava administração na FIA (Fundação Instituto de Administração), onde se formou em 2015. Ela criou uma consultoria para que o setor produtivo consiga inserir – pra valer– funcionários deficientes nos times. O trabalho deu origem à startup Exceptional Journey, com foco em surdez (que atinge 5% dos brasileiros). Hoje, empresas com mais de cem funcionários devem ter, por obrigação legal, de 2% a 5% de trabalhadores com deficiência. A lei faz aniversário de 25 anos, mas muitas empresas patinam na execução, dizem especialistas. "Muitas companhias preferem pagar a multa [por não cumprir a lei], diz Larissa. "Outras contratam pessoas com deficiência, mas pedem que eles fiquem em casa". O trabalho levou o primeiro lugar de 106 concorrentes na última competição internacional "Sustainable Games" ("Jogos Sustentáveis"). É uma iniciativa de um braço da ONU com instituições como a Intel que busca modelos de negócios lucrativos de alunos, com foco social. A proposta da jovem é trabalhar junto com a empresa para identificar potencialidades dos funcionários com deficiência e desenvolvê-las. Para Valquíria Barbosa, gerente da Apae (Associação de Pais Amigos dos Excepcionais de São Paulo) de São Paulo, muitas empresas dizem que é difícil encontrar pessoas com necessidades especiais qualificadas. O problema é que a exclusão começa na vida escolar e segue pela formação acadêmica. "Ainda existe escola sem acessibilidade e professores sem preparo", diz. Esse tipo de serviço está começando no Brasil –justamente por isso, Larissa conseguiu desenvolver um plano de negócios lucrativo. Algumas consultorias já trabalham para ajudar a empresa a cumprir as cotas. O "pulo do gato" do projeto, para Rodolfo Olivo, que dá aula de empreendedorismo na FIA, é incluir a integração dos funcionários à equipe. "A empresa deixa de ver o funcionário como um ônus". No prêmio, Larissa levou U$25 mil (quase R$90 mil) para decolar a sua consultoria. Agora, busca mais investidores e está começando a aplicar o projeto-piloto em empresas brasileiras. Ao todo, a competição teve 106 projetos de estudantes de graduação de todo o mundo, incluindo países de ponta, como a Alemanha. Depois de um filtro inicial, o finalista –a brasileira– saiu de uma apresentação pessoalmente feita em Nova Iorque. Do lado das empresas, diz Valquíria Barbosa, gerente dos serviços socioassistenciais da APAE (Associação de Pais Amigos dos Excepcionais de São Paulo) de São Paulo, muitas argumentam que não preenchem as cotas porque é difícil encontrar pessoas com necessidades especiais qualificadas. O problema, diz, é que a exclusão de quem tem deficiências mais limitantes começa no início da vida escolar e segue por toda a formação acadêmica. "Ainda existe escola sem acessibilidade e professores sem preparo para lidar com alunos com necessidades especiais", diz Valéria. "Muitas crianças vão para a escola, mas não têm garantia de desenvolvimento. É preciso entender qual o tipo de apoio que a criança precisa", diz. "As barreiras não são apenas arquitetônicas". A Apae trabalha com foco em deficiência intelectual que é, de acordo com Larissa, o maior desafio de inclusão no setor produtivo. Na consultoria, a proposta da jovem é trabalhar junto com a empresa para identificar potencialidades dos funcionários com deficiências e para desenvolvê-los. Esse tipo de serviço está começando no Brasil –justamente por isso, Larissa conseguiu desenvolver um plano de negócios lucrativo. Algumas consultorias já trabalham no sentido de ajudar a empresa a cumprir a lei das cotas ou a treinar gestores a lidar com pessoas com deficiência. O "pulo do gato" do projeto de Larissa, se acordo com Rodolfo Olivo, que dá aula de empreendedorismo na FIA e capitaneou o projeto, é a abordagem integrativa. "Esse trabalho é interessante porque a empresa deixa de ver o funcionário como um ônus", explica Olivo. Como vencedora do prêmio, ela levou um montante de U$25 mil (quase R$90 mil) para decolar a sua consultoria no Brasil. Agora, busca mais investidores para a startup e está começando a aplicar o projeto-piloto em empresas brasileiras. Nas horas vagas? "Estudo libras. Preciso entender o que é ter uma limitação."

INTERNET VIROU UM CAMPO MINADO PARA MULHERES EM PAÍSES CONSERVADORES
Uma investigação da BBC revelou que milhares de jovens mulheres em sociedades conservadoras do norte da África, do Oriente Médio e do sul da Ásia estão sendo humilhadas ou chantageadas com imagens privadas suas, às vezes de conteúdo explícito. Nesta reportagem, Daniel Silas Adamson investiga como os smartphones e as redes sociais estão entrando em conflito com as noções tradicionais de vergonha e culpa nestes países. Em 2009, a jovem egípcia de 18 anos Ghadeer Ahmed mandou um vídeo para o namorado pelo celular. O clipe mostrava ela dançando na casa de uma amiga. Não havia nada de pornográfico nele, mas ela estava usando um vestido de alça e dançando sem qualquer inibição. Três anos depois, para se vingar do fim do relacionamento, seu agora ex-namorado publicou o vídeo no YouTube. Ghadeer entrou em pânico. Ela sabia que toda a situação —a dança, o vestido, o namorado— seriam totalmente inaceitáveis para seus pais e vizinhos e para uma sociedade que exige que mulheres cubram seus corpos e se comportem com modéstia. Mas, nos anos após ter enviado o vídeo, Ghadeer se envolveu na revolução egípcia, deixando de cobrir o rosto com um hijab e defendendo os direitos das mulheres. Revoltada que um homem havia tentado humilhá-la publicamente, ela acionou a Justiça. Apesar de conseguido condenar o ex-namorado por difamação, o vídeo permaneceu no ar no YouTube —e Ghadeer se viu atacada nas redes sociais por homens que a criticavam por seu ativismo e diziam que ela queria corromper os jovens. Em 2014, cansada desse tipo de abuso e de se preocupar com quem poderia ver as imagens, Ghadeer tomou a uma decisão corajosa: publicou o clipe em seu perfil no Facebook. No post, dizia que estava na hora de parar de usar o corpo feminino para envergonhar ou silenciar mulheres. "Vejam o vídeo", disse ela. "Sou uma boa dançarina. Não tenho motivo para sentir vergonha". Ghadeer aprendeu a lidar bem com a situação, mas casos assim não são incomuns. Uma investigação da BBC descobriu que milhares de pessoas —a maioria delas garotas e mulheres— são ameaçadas, chantageadas ou humilhadas com imagens digitais delas próprias, que vão de flertes inocentes a conteúdos sexualmente explícitos. Obtidas por homens —algumas vezes com consentimento, outras por meio de abuso sexual— as imagens são usadas para extorquir as vítimas, coagi-las a enviarem mais imagens explícitas ou forçá-las a se submeterem a um abuso sexual. O pornô de vingança é um problema em qualquer país do mundo, mas a força de imagens sexuais como armas de intimidação deriva da sua capacidade de humilhar e envergonhar mulheres. E, em algumas destas sociedades, a vergonha é um assunto grave. "No Ocidente, a cultura é diferente", diz Inam al-Asha, psicóloga e ativista feminista em Amã, na Jordânia. "Uma foto nua pode humilhar uma garota ocidental. Mas, em nossa sociedade, uma foto nua pode levar uma mulher à morte. E, mesmo que não deem cabo de sua vida fisicamente, ela está acabada social e profissionalmente. As pessoas se distanciam, e ela acaba no ostracismo, isolada". Os casos, em sua maioria, não são denunciados porque as mesmas forças que deixam as mulheres vulneráveis também trabalham para que elas permaneçam em silêncio. Mas advogados, policiais e ativistas em uma dezena de países disseram à BBC que a chegada de smartphones e redes sociais criou uma epidemia de chantagem e humilhação on-line. A advogada jordaniana Zahra Sharabati afirmou que, nos últimos dois ou três anos, cuidou de ao menos 50 casos envolvendo o uso de imagens digitais para ameaçar ou humilhar mulheres. "Mas acho que o número é ainda maior, acima de mil, em todo o país. Mais de uma menina, acredito, morreu como resultado disso". Louay Zreiqat, uma policial da Cisjordânia, disse que, no ano passado, a unidade de cibercrime da polícia palestina teve 502 casos de crimes, muitos dos quais envolviam fotos privadas de mulheres. Seu compatriota Kamal Mahmoud, que tem um site antiextorsão, afirmou receber mais de mil pedidos de ajuda por ano vindos de todo o mundo árabe. "Às vezes, as fotos não são sexuais... Uma foto de uma menina sem o hijab pode ser escandalosa. Um homem poderia usá-la para pressionar a garota a mandar mais fotos", afirmou ele. "A chantagem ocorre em grande escala nos países do Golfo, especialmente com jovens da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes, do Kuwait, do Catar e do Bahrein. Algumas delas dizem: 'Se essas fotos forem a público, corro perigo de verdade'."
CHANTAGEM
Na Arábia Saudita, o problema é tão sério que a polícia religiosa criou uma unidade especial para ir atrás dos chantageadores e ajudar mulheres ameaçadas. Em 2014, o então chefe da polícia religiosa do país, Abdul Latif al-Sheikh, disse a um jornal saudita: "Recebemos milhares de ligações todos os dias de mulheres sob chantagem". Mais ao leste, Pavan Duggal, um dos principais especialistas em cibercrime da Índia e advogado autorizado a atuar na Suprema Corte do país, falou sobre a "avalanche" de casos envolvendo imagens digitais de mulheres. "Minha estimativa é que há milhares de processos assim (na Índia) diariamente". E, no vizinho Paquistão, Nighat Dad, diretora de uma ONG dedicada a tornar a internet mais segura para mulheres, disse que de duas a três garotas e mulheres por dia —cerca de 900 por ano— entram em contato com sua organização por estarem sendo ameaçadas. "Quando estão em um relacionamento, as mulheres compartilham fotos e vídeos", disse ela. "E, se o relacionamento não termina bem, a outra pessoa faz um mal uso disso para chantageá-las. Não só para manter a relação, mas para fazer uma série de outras coisas bizarras."
CULTURA DO ESTUPRO
Os casos vão além da chantagem. Nighat Dad está começando a ver um elo perturbador entre smartphones e violência sexual. "No início, eram fotos íntimas, mas, agora, há uma ligação grave com estupros", afirmou. "Antes destas tecnologias, quando os criminosos estupravam, não tinham ideia de como podiam fazer a mulher ficar calada. Mas, agora, a tecnologia gera um aspecto novo da cultura do estupro. Para silenciá-las, o ato é filmado, e elas depois são ameaçadas. Se denunciarem, o vídeo será publicado na internet". Quanto mais devastadora a consequência da exposição pública, maior é o poder do criminoso sobre a vítima. Amal, uma jovem do interior da Tunísia, contou à BBC sua história enquanto estava presa na costa norte do país. Tudo começou quando ela foi estuprada e fotografada nua por um amigo de seu pai. As imagens a deixaram à mercê do homem, que a sujeitou a meses de violência sexual enquanto também a extorquia. Mas, quando ele ameaçou estuprar sua irmã mais nova, Amal chegou ao seu limite. A jovem convidou o amigo de seu pai à sua casa e o matou a facadas. Ela agora cumpre uma pena de 25 anos. Outra jovem, vítima aos 16 anos de um estupro coletivo no Marrocos, ateou fogo em si mesma em julho passado, após seus estupradores ameaçarem compartilhar pela internet imagens do abuso. Logo após o crime, os oito acusados tentaram intimidar a família da garota para que fosse retirada a queixa. Mas o caso todo acabou em suicídio: ela sofreu queimaduras de terceiro grau e morreu no hospital.
VÍDEOS DE ESTUPROS
Mas é na Índia e no Paquistão que o uso de celulares para registrar estupros parece estar mais difundido. Em agosto de 2016, o jornal "Times of India" descobriu que centenas —talvez milhares— de vídeos de estupros estavam sendo vendidos diariamente em lojas do Estado de Uttar Pradesh, no norte do país. Um lojista da cidade de Agra disse: "Pornô saiu de moda. Esses crimes reais é que estão em alta". Outro lojista foi ouvido pela reportagem dizendo a clientes que a garota do vídeo "mais quente do momento" poderia ser uma conhecida sua. Em um exemplo investigado pela BBC, uma profissional da saúde de 40 anos se matou após um vídeo em que era estuprada por um grupo começou a ser compartilhado entre moradores de seu vilarejo pelo aplicativo de mensagens WhastApp. A mulher pediu ajuda aos anciãos locais, mas, segundo um colega seu, não recebeu qualquer apoio da comunidade, para quem o vídeo a manchava socialmente —já que, na visão deles, ela era a culpada pelo ocorrido. Mas a força destas imagens em sociedades conservadoras pode ser uma faca de dois gumes. Algumas mulheres compreenderam que, se elas podem ser usadas para envergonhar mulheres, também podem ser usadas como armas para atacar e desafiar uma cultura patriarcal. Quando Ghadeer Ahmed postou o vídeo em que aparecia dançando no Facebook, ela não só estava minando as tentativas de humilhá-la, mas rejeitando a noção de que o clipe era motivo de vergonha. "Um grupo de homens tentou me envergonhar ao compartilhar um vídeo privado em que dançava com amigos. Estou escrevendo isso para anunciar que, sim, era eu no vídeo, e, não, não tenho vergonha do meu corpo", escreveu ela. Em 2011, outra jovem do norte da África, Amina Sboui, foi além e publicou fotos com os seios à mostra no Facebook. Em seu peito nu, escreveu: "Meu corpo pertence a mim, não é alvo da honra de ninguém". A imagem gerou uma grande controvérsia em seu país, a Tunísia. Mais recentemente, Qandeel Baloch, originalmente de um vilarejo da região de Punjab, no Paquistão, usou as redes sociais para publicar selfies e acabou ficando famosa. Conhecida como a "Kim Kardashian do Paquistão", em referência à socialite e celebridade americana, ela desafiou as regras sociais do país ao adotar a cultura sexualizada da internet —até ser estrangulada por seu irmão em julho passado. Segundo ele, ela levou vergonha à família. O poder dos smartphones e das redes sociais parece não estar sendo ignorado pelas autoridades da Arábia Saudita, que estão combatendo agressivamente o uso de imagens de mulheres por homens chantagistas e criminosos. Autoridades também estão realizando campanhas para educar jovens sobre o perigo de compartilhar fotos online. Por um lado, é uma medida importante para proteger as mulheres sauditas, mas a rapidez dessa reação também reflete um reconhecimento de que a tecnologia tem poder para mudar padrões de comportamento e pensamento –e que já está criando um novo front da batalha sobre o que as mulheres podem ou não fazer com seus próprios corpos. Essa reportagem é a primeira de uma série da BBC que analisa como a tecnologia está entrando em rota de colisão com noções tradicionais de honra e vergonha no norte da África, no Oriente Médio e no sul da Ásia.

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