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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

CAUSOS DO BLOG

FUSCA FOI TÁXI
por Geraldo Duarte*

Anos setenta. A Divisão de Treinamento do BNB promoveu um Curso de Formação de Chefes de Setores de Crédito.
O Banco entendeu-se com o SESC e o evento ocorreu na Colônia de Férias de Iparana. Local aprazível, isolado e ideal para o objetivo.
Trinta convocados, pertencentes às várias agências, foram capacitados durante um mês, em nosso Estado. Os casados, dado ao tempo, vieram acompanhados de familiares.
Chegados os sábados e domingos, os solteiros enturmavam-se e divertiam-se nas noites da Capital. Em especial, os baianos, adversos à quietude e afeiçoados aos ambientes festeiros.
Dentre os conterrâneos de Jorge Amado, um, muito parecido, na alegria e sociabilidade, com o personagem Vadinho, liderava o grupo. Jovem, inteligente, boêmio, seresteiro, proseador e fazedor de amigos. Este era José Juraci Pedra Braga.
Num dos fins de semana, encontrou uma Iracema - diferente da virgem de José de Alencar - e deu-se a etílico idílio, levando-o a perder-se da turma. 
Madrugada de segunda-feira. Um Fusca-Táxi chegou à Colônia e o motorista afirmou trazer um passageiro que se dizia ali hospedado. “Ele teimou em não vir no banco trás, sentou-se no lugar do da frente, me chama de gigante e canta Boemia, de Nelson Gonçalves...”.
À época, fuscas de aluguel, por norma, circulavam sem o assento ao lado do guiador.  
O bancário Felipe Fialho foi ao veículo e, ao abrir a porta, deparou-se com o Pedra sentado no assoalho. Ao indagar o porquê daquilo, ouviu: “Só viajo na dianteira! E quem é esse taxista grande e alto que me trouxe?”.
Abstêmio há 40 anos e sempre bom de papo, hoje ri daquela presepada.

(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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