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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

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O CEARÁ EXPORTA ÁGUA PARA O EXTERIOR
por Engº Cássio Borges*

Falando sobre a grave situação atual do açude Coremas, no Estado a Paraíba, “que está com apenas 3%”, o pesquisador João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, de Pernambuco, diz que “a geração de 4 MW de energia na hidrelétrica instalada no referido reservatório é, de fato, a grande responsável pela situação caótica em que se encontra a distribuição de água para a população de cinco grandes cidades daquele Estado”. E afirma: “ O povo irá pagar um preço muito elevado com essa falta de transparência na condução da gestão da água no açude Coremas. O colapso será iminente”.
Comentando a situação crítica em que se encontra o açude Coremas, o competente hidrogeólogo,  José Tomaz do Patrocínio Albuquerque, ex-SUDENE, da Universidade Federal da Paraíba, assegura que “o problema da falta de água no Nordeste seco está na má gestão dos seus recursos hídricos”.     O caso do Açude Coremas é semelhante ao do açude Castanhão, no Ceará. Aqui, também, os doutos projetistas desse açude também previram uma hidroelétrica de 12 MW nessa barragem, que, felizmente,  ela nunca foi instalada. Não tem nenhuma lógica uma barragem de estiagem na região nordestina ser, também,  destinada, para geração de energia.  O presente caso do açude Coremas é uma prova insofismável   do que estamos dizendo.       
Entretanto, os gestores da água no  Estado do Ceará cometem erro semelhante ao não controlar a água dos açudes que, ainda  este ano, em plena seca, segundo nos consta,  continua sendo usada para irrigação para atender  interesses de poderosos grupos empresariais  ligados a essa atividade.  Enquanto isto, a população cearense está sendo sacrificada exigindo-se a  enormes sacrifícios para racionar o uso deste insumo em suas residências. Temos informações de que é  no chamado Eixão das Águas onde está o maior consumo de água para fins  econômicos chegando a se equivaler ao consumo de grande parte da Região Metropolitana de Fortaleza. Qualquer um pode usar a água que quiser, desde que pague o preço cobrado pela COGERH, que dispõe de cerca de 700 funcionários para este objetivo.
Observa-se que a gestão dos recursos hídricos no Ceará se resume na venda da água dos açudes do DNOCS, que já alcançou, segundo nos consta,  a elevada arrecadação anual de US$ 100 milhões decorrente da exportação de frutas e hortaliças para a Europa e Estados Unidos, lembrando que para cada quilo de melão exportado é agregado cinco litros de água para sua produção.  São milhões de metros cúbicos de água exportados pelo Porto do Pecém.  E nós, os otários consumidores de água, é  que estamos pagando pela incompetência  e falta de transparência dos que estão à frente da gestão deste importante insumo em nosso Estado.

(*) Cássio Borges é engenheiro civil, ex-Diretor  Regional do DNOCS e de sua Diretoria de Planejamento, Estudos e Projetos

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