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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

TEXTO DO BLOG

A FRUTICULTURA SOB O ATAQUE DA CRISE
por Luiz Soares das Terras Nordestinas*

Há bem pouco tempo, o nordeste era o apogeu da miséria, facilmente consagrada através do vergonhoso do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH.
Determinados homens com a têmpera digna dos bandeirantes, gradativamente, sozinhos e altamente disciplinados, tiram o marasmo nordestino, brasileiro e mundial, aquela ideia de viver de pires na mão. Como desbravadores furam poços, desenvolvem um sistema de irrigação, quebram paradigmas da ciência e tecnologia, importando a técnica moderna, de alta precisão, do vitorioso Estado de Israel, que venceu o deserto.
Não bastando, aprendeu a atravessar o atlântico e negociar se utilizando das ferramentas que a lei do comercio internacional pode oferecer, via Mercado Futuro. Mudou o conceito da comercialização que ainda perdura na atividade agrícola nacional. Planta para entregar; e, não mais para vender. Embrenhou no transporte intermodal, construiu packing house, detonou pedra, abriu portos e aeroportos e fez a navegação marítima colocar as nossas frutas, na mesa dos Europeus e Americanos.
Desenvolveu importantes missões comerciais, abrindo mercados antes somente atingidos por “virtuosos” intermediários. Portugal, Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido, Suécia, Holanda e outras muitas ramificações foram atingidas, conseguindo provar o sabor; e, com isto cativar a preferencia de muitos exigentes consumidores de além mar. Alargou-se pelo continente americano e também ganhou ótimas fatias, no mercado de frutas frescas, como na Califórnia, Arizona, Chicago, New Orleans, Miami, New York e Washington. Mais para o sul a Argentina, o Chile e alguns outros países nas imediações da Cordilheira dos Andes.
Entrou, ganhou e se fez respeitar, pela qualidade, assiduidade e capacidade de vencer inúmeros entraves que a burrologia nacional tenta fazer perdurar, complicando e dificultando, criando apenas insegurança e intranquilidade no instante de produzir. Essa odisseia jamais poderá ser avaliada pelos dólares que aparecem frios nas estatísticas das exportações nacionais. Não. O principal item deve e deveria ser aquele que tirou milhões de pessoas (homens e mulheres) da condição de miseráveis crônicos, lhes oferecendo emprego e cidadania.
Essa monumental atividade está sendo seriamente atacada, por desleixo, cinismo e incompetência de governos, que tentou transformar uma atividade aglutinadora em ocupação marginal. A economia, a carga tributária, a legislação trabalhista, está sendo operado, vergonhosamente para fazer ruir este legado, um patrimônio feito por bandeirantes e não pelegos governamentais.
O mercado interno faliu pois, o endividamento dos consumidores nacionais assumiu patamares inaceitáveis. Morreu pelo consumismo de produtos que supostamente podem ou poderia lhes trazer efêmeros momentos de satisfação. Com isto, o fez esquecer ou relegar o alimento e a alimentação. Mesmo com a seca avassaladora, não se consegue vender ao menos uma carrada de melancia, melão ou mamão para o mercado interno, ao menos uma vez por semana. 
A desgraça se alastra, tendo em vista que a oferta se superou e com isto, a decisão foi encaminhar toda a produção para o mercado internacional. Maior volume, via oferta exagerada, causa intranquilidade, nesta relação de oferta e procura. Ainda bem o verão se prolonga na Europa e, com isto, dando um pouco de alivio aos produtores e exportadores de frutas tropicais.
Sem água, sem respeito, sem ao menos uma palavra de reconhecimento, estão nos relegando a um segundo plano e, com isto, nos colocamos na rota dos esquecidos. Pobre Brasil.

(*) Luis Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.  

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