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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

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DÍVIDA PÚBLICA ULTRAPASSA R$ 3 TRI E TESOURO REDUZ PESO DE TÍTULOS LIGADOS À SELIC
A dívida pública federal rompeu pela primeira vez a barreira de R$ 3 trilhões em setembro, informou o Tesouro Nacional na terça-feira (25), reduzindo a previsão do peso dos títulos ligados à Selic na dívida para 2016, ao mesmo tempo em que elevou a fatia esperada dos papéis prefixados. Em setembro, a dívida registrou alta de 3,1% na comparação com o mês anterior, alcançando R$ 3,047 trilhões. Para o ano, o Tesouro manteve a projeção de que ela vá ficar entre R$ 3,1 trilhões e R$ 3,3 trilhões em revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF). Em dezembro de 2015, o patamar foi de R$ 2,793 trilhões. Após iniciar o ano estimando que os títulos ligados à Selic representariam de 30% a 34% do total da dívida em 2016, o Tesouro agora vê de 27% a 31%. Só em setembro, eles caíram a 26,54%, ante 26,94% em agosto. Esses papéis pós-fixados são mais demandados por investidores quando há percepção de aumento do risco, num ambiente de inflação e juros elevados, como o vivido pelo país de maneira mais forte no início do ano. Eles tiram previsibilidade para a dívida, já que flutuam com os juros básicos. "O planejamento de longo prazo da dívida é de fato reduzir a parcela ligada à taxa flutuante e aumentar prefixado", afirmou a jornalistas o subsecretário da Dívida Pública, José Franco Morais. "Ao longo deste ano, o cenário realizado foi bem melhor do que as expectativas. Isso se refletiu nos preços dos ativos e consequentemente na estratégia de emissão de títulos públicos", acrescentou. O Banco Central iniciou, na semana passada, novo ciclo de afrouxamento monetário ao reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14%. Já para os títulos prefixados, a previsão do Tesouro é que sigam respondendo pela maior fatia da dívida, mas numa faixa de 33% a 37%, acima dos 31% a 35% de antes. Esses papéis alcançaram 37,71% do total no último mês, ante 36,85% em agosto. No mesmo período, os títulos corrigidos pela inflação chegaram a 31,47% da dívida, contra 31,82% de agosto. A meta no PAF neste caso foi mantida em 29% a 33% do total em 2016. Para os títulos ligados ao câmbio, o Tesouro também não mudou a faixa de 3% a 7% da dívida em 2016. Em setembro, esses papéis foram a 4,29% do total, contra 4,39% em agosto.
INTERNA X EXTERNA
Ainda segundo o Tesouro, a dívida pública mobiliária federal interna subiu 3,21% em setembro sobre agosto, a R$ 2,921 trilhões, afetada pela emissão líquida de R$ 62,12 bilhões e pela apropriação positiva de juros de R$ 28,59 bilhões. A dívida externa, por sua vez, subiu 0,81% na mesma base, a R$ 126,03 bilhões, diante da apropriação positiva de juros de R$ 1,15 bilhão, compensada em parte pelo resgate líquido de R$ 140 milhões. A participação dos investidores estrangeiros em títulos da dívida interna recuou a 14,97% em setembro, contra 15,67% de agosto.

MISTÉRIO RESOLVIDO: ESTUDO DESCOBRE POR QUE CHOVE TANTO NA AMAZÔNIA
Cientistas que estudam há mais de 25 anos a formação das nuvens na Amazônia sempre se depararam com um mistério: as gotículas de água produzidas pela floresta são insuficientes para provocar as tempestades, que são constantes na região. De onde vinha o resto? Segundo estudo publicado nesta semana na revista Nature, a resposta é surpreendente: as gotículas vêm do céu, de grandes altitudes. Os aerossóis (nanopartículas) que estão na atmosfera a cerca de 15 mil metros de altitude (faixa por onde voam os aviões comerciais) se somam às partículas vindas das árvores e alimentam as nuvens da região amazônica. Os cientistas já sabiam da existência dos aerossóis em grandes altitudes e que eles eram removidos pela chuva. Faltava entender como a atmosfera restabelecia a concentração de aerossóis rapidamente. O que descobriram foi de onde eles vêm e como ajudam a "fazer chover".
PARTÍCULAS QUE SOBEM E DESCEM
Os gases emitidos pelas árvores da floresta são levados da superfície para a alta atmosfera pelo movimento vertical de massas de ar. No alto, onde a temperatura é de cerca de -55°C, eles se condensam e formam os aerossóis. Essas nanopartículas são retiradas da alta atmosfera pelas correntes descendentes de nuvens de chuva e se combinam com os gases das árvores que estão vindo em correntes ascendentes. Neste encontro, as partículas crescem rapidamente e formam gotículas e nuvens. As correntes de convecção dão início à chuva.
DISTRIBUIÇÃO EFICIENTE"
O conjunto dos gases emitidos pela floresta e as nuvens fazem uma dinâmica muito peculiar e produzem enormes quantidades de partículas em altas altitudes, onde se acreditava que elas não existiriam", diz o físico da USP Paulo Artaxo, um dos autores do estudo. "São mecanismos biológicos da floresta atuando junto com as nuvens para manter o ecossistema Amazônico em funcionamento". Segundo ele, esses gases são jogados para a alta atmosfera, onde a velocidade do vento é muito grande, e são redistribuídos pelo planeta de forma muito eficiente. "Estamos atualmente realizando trabalhos de modelagem para precisar as regiões afetadas pelas emissões de gases da Amazônia e transportadas pela circulação atmosférica", diz o cientista. Como tais mecanismos eram até agora desconhecidos, essa produção de aerossóis não está contemplada em nenhum modelo climático. "É um conhecimento que terá de ser incluído, pois ajudará a tornar as simulações de chuva na Amazônia mais precisas", diz Luiz Augusto Machado, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), que também participou do estudo. Segundo Machado, a observação de aerossóis se formando a partir de gases vindos da superfície é surpreendente. Isso porque quando se ultrapassa altitudes superiores a 2.500 metros ocorre uma inversão de temperatura que costuma inibir o transporte vertical de partículas. "O transporte através das nuvens convectivas [que sobem e descem] quebra essa barreira e permite o mecanismo funcionar em regiões tropicais", explica ele. A importância dos aerossóis não está somente na formação de nuvens na Amazônia – o que já seria muito, já que a dinâmica climática na região regula o clima em todo o globo. Eles são fundamentais também para o controle da radiação solar que atinge a Terra. Assim, equilibra a fotossíntese e a temperatura do ecossistema amazônico.
DESCOBERTA FEITA SEM QUERER
A descoberta dessa dinâmica essencial para explicar a origem das chuvas foi feita por um acaso, quando cientistas investigavam o efeito da poluição de Manaus na atmosfera amazônica no experimento GoAmazon (Green Ocean Amazon Experiment). Artaxo diz que investiga há muito tempo a formação de novas partículas de aerossóis na Amazônia, sem conseguir explicar o fenômeno. "As medições eram sempre feitas em solo ou com aviões voando até no máximo 3.000 metros de altura. Mas a resposta, na verdade, estava ainda muito mais no alto da atmosfera amazônica", diz o pesquisador. No atual estudo, as medidas foram feitas por dois aviões que voaram em altitudes de até 15 mil metros. Os resultados batem com medidas feitas em solo pelo laboratório Torre Alta de Observação da Amazônia, uma torre de 320 m de altura situada na região central da Amazônia.
AQUECIMENTO GLOBAL E AEROSSÓIS
Segundo Paulo Artaxo, o aquecimento global que já está ocorrendo vai alterar a dinâmica atmosférica, causando impacto no papel dos aerossóis na Amazônia. "O aquecimento vai também mudar o perfil de temperatura sobre a floresta, o que altera a convecção e os mecanismos de formação de nuvens e chuva sobre a Amazônia", diz ele. 

"BABÁS ELETRÔNICAS" PODEM VIRAR ARMAS NA INTERNET
Quando as câmeras de vigilância começaram a surgir, nos anos 1970 e 1980, foram recebidas como instrumentos de combate ao crime, depois como uma forma de monitorar o tráfego, as linhas de produção industrial e até quartos de bebês. Mais tarde, foram adotadas com fins mais obscuros, quando governos autoritários como o da China as usaram para evitar contestações ao poder, mantendo guarda sobre manifestantes e dissidentes. Mas hoje essas câmeras --e muitos outros dispositivos que estão conectados à internet-- são usadas para um objetivo totalmente diferente: como arma de distúrbios maciços. A lentidão da internet que varreu a costa leste dos EUA na semana passada, quando muitos americanos já estavam nervosos com a possibilidade de que hackers interferissem nos sistemas eleitorais, ofereceu uma visão de uma nova era de vulnerabilidades que ameaça a sociedade altamente conectada. O ataque à infraestrutura da internet, que tornou praticamente impossível às vezes verificar feeds no Twitter ou as principais notícias, foi um lembrete notável de que os bilhões de dispositivos comuns conectados à web --muitos deles altamente inseguros-- podem ser desviados para finalidades viciosas. E as ameaças continuarão muito depois do dia da eleição num país que cada vez mais mantém seus dados na nuvem e, com frequência, a cabeça enfiada na areia. Restos do ataque continuaram emperrando alguns sites no sábado (22), mas os problemas principais haviam diminuído. Para a comunidade tecnológica, porém, os acontecimentos de sexta-feira foram tão inevitáveis quanto um terremoto junto à falha geológica de Santo André, na Califórnia. Um novo tipo de software malicioso explora uma antiga vulnerabilidade nessas câmeras e em outros equipamentos baratos que hoje se somam ao que ficou conhecido como a internet das coisas. A vantagem de colocar todos os dispositivos na internet é óbvia. Significa que sua geladeira pode encomendar leite para você quando o produto estiver acabando e a impressora da sua casa pode informar ao vendedor que precisa de tinta. As câmeras de segurança podem ligar para seu telefone celular quando alguém se aproximar de sua casa, seja um entregador ou um ladrão. Quando o Google e os fabricantes de carros de Detroit puserem seus carros sem motorista nas ruas, a internet das coisas se tornará seu motorista. Mas centenas de milhares, e talvez milhões, dessas câmeras de segurança e outros equipamentos foram infectados com um programa bastante simples que adivinha suas senhas de fábrica --geralmente "admin" ou "12345" ou mesmo "senha"-- e, depois de invadi-los, os transforma em um exército de robôs simples. Cada um deles recebeu o comando, em um momento coordenado, para bombardear uma pequena empresa em Manchester, no Estado de New Hampshire, chamada Dyn DNS, com mensagens que sobrecarregaram seus circuitos. Poucas pessoas ouviram falar na Dyn, mas ela essencialmente atua como um dos painéis de transferência gigantes da internet. Se ela parar, os problemas se espalham instantaneamente. Não demorou para reduzir a lesmas os sites Twitter, Reddit e Airbnb, assim como o feed de notícias de "The New York Times". Não está claro quem é o culpado, e, talvez, leve dias ou semanas para detectá-lo. Mas a resposta provavelmente não importa muito, afinal. A vulnerabilidade para a qual o país despertou na manhã de sexta-feira pode ser facilmente explorada por uma nação-Estado como a Rússia, que o governo americano acusou de invadir o Comitê Nacional Democrata e as contas dos membros da campanha de Hillary Clinton. Também poderia ser explorada por um grupo criminoso, que foi o foco da maior parte do trabalho de adivinhação sobre o ataque ou mesmo por adolescentes. As oportunidades para os imitadores são infinitas. A advertência mais dura veio em meados de setembro, de Bruce Schneier, um especialista em segurança da internet, que postou um breve ensaio intitulado "Alguém está aprendendo a derrubar a internet". A técnica não era novidade: entidades como o governo da Coreia do Norte e extorsionistas há muito usam ataques de "negação de serviço distribuído" para dirigir uma enxurrada de dados para sites de que eles não gostam. "Se o atacante tiver uma mangueira de dados maior que a do atacado, o atacante ganha", escreveu ele. Mas em épocas recentes os hackers vêm explorando as vulnerabilidades das empresas que formam a espinha dorsal da internet --assim como os Estados americanos viram recentemente exames dos sistemas que contêm suas listas de eleitores. Os ataques a empresas cresceram, escreveu Schneier, "como se o ataque procurasse exatamente o ponto de falha". Pense na poderosa Linha Maginot, que foi testada repetidamente pelo Exército alemão em 1940, até que ele encontrou o ponto fraco e avançou para Paris. A diferença da internet é que não está claro nos EUA quem deve protegê-la. A rede não pertence ao governo --nem a ninguém, na verdade. Cada organização é responsável por defender seu próprio pedaço. Bancos, lojas e polos de redes sociais devem investir na proteção de seus sites na web, mas isso não adianta muito se as conexões entre elas forem cortadas. O Departamento de Segurança Interna deveria oferecer a linha básica para defesa da internet nos EUA, mas está constantemente brincando de pega-pega. Nas últimas semanas, enviou equipes aos Estados para ajudá-los a encontrar e remendar vulnerabilidades em seus sistemas de votação e suas redes de divulgação de resultados. O FBI investiga brechas, mas leva tempo. Enquanto isso, as pessoas querem usar os bancos e assistir a programas de TV online. Em 8 de novembro, os americanos terão de procurar onde devem votar e, em alguns casos, votarão pela internet. Mas o sistema de votação não é considerado parte da "infraestrutura crítica" do país. O chefe da agência de segurança nacional, almirante Michael Rogers, disse recentemente que especialistas estão procurando o problema da maneira errada. "Estamos nos concentrando demais em lugares e coisas", disse ele em uma palestra em Harvard. "Devemos nos concentrar nos dados" e como eles fluem --ou não fluem. É aí que entra a internet das coisas. A maioria dos dispositivos foi conectada à web nos últimos anos com pouca preocupação sobre a segurança. Peças baratas, algumas vindas de fornecedores chineses, têm proteção de senhas fracas ou inexistentes, e não está claro como é possível modificar essas senhas. E o problema está se expandindo rapidamente: a Cisco estima que o número desses equipamentos poderá passar dos atuais 15 bilhões a 50 bilhões até 2020. A Intel aponta o número em aproximadamente 200 bilhões de dispositivos no mesmo período. (Supondo que a população global seja de cerca de 7,7 bilhões de pessoas em 2020, isso seria de seis a 26 dispositivos por pessoa). Pesquisadores em segurança vêm advertindo sobre esse problema há anos, mas o aviso foi geralmente descartado como modismo ou promoção de medo. Então Brian Krebs, que dirige um site popular sobre segurança na internet, foi atingido por um ataque importante há algumas semanas. A companhia que o protege, a Akamai, desistiu. O programa malware que causou o ataque, chamado Mirai, continha um dicionário de senhas comuns e as usou para sequestrar dispositivos para se tornarem atacantes. Chester Wisniewski, um importante cientista-pesquisador de computação na empresa de segurança Sophos, disse que ataques como o da Dyn "podem ser o início de uma nova era de ataques na internet praticados via coisas 'smart'". "Há outras dezenas de milhões de coisas 'smart' inseguras que podem causar distúrbios incríveis, se forem controladas", acrescentou Wisniewski em um e-mail. É possível, segundo investigadores, que o ataque à Dyn tenha sido realizado por um grupo criminoso que quisesse extorquir a companhia. Ou pode ter sido feito por "hacktivistas". Ou uma potência estrangeira que quisesse lembrar aos EUA sua vulnerabilidade. A resposta poderá não vir no dia da eleição, mas a próxima onda de ataques sim. 

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