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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

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EMBRAER VAI PAGAR US$ 206 MILHÕES PARA ENCERRAR INVESTIGAÇÃO SOBRE CORRUPÇÃO
A Embraer chegou na segunda-feira, 24, a um acordo com autoridades de Brasil e Estados Unidos para encerrar uma investigação de corrupção, pagando US$ 206 milhões para virar a página sobre evidências de subornos em quatro contratos no exterior. A investigação interna da fabricante de aeronaves, iniciada em 2010 após o recebimento de uma intimação nos EUA, encontrou evidências de problemas em vendas na Arábia Saudita, Índia, Moçambique e República Dominicana no período de cinco anos até 2011. A multa está em linha com a provisão da Embraer feita em julho, de US$ 200 milhões. As ações da fabricante de aviões subiam 0,06% vai após o anúncio, que propõe encerrar um caso em que a empresa poderia ser processada, sob a lei dos EUA contra corrupção fora do país. A empresa disse que não é parte de investigação criminal paralela dos promotores brasileiros sobre certos indivíduos. Terceira maior fabricante mundial de jatos comerciais, a Embraer substituiu grande parte de sua alta administração nos últimos anos, em linha com esforços de conformidade e reduziu o uso de representantes de vendas terceirizados, o que tinha levantado suspeitas nos casos analisados. Uma investigação interna abrangente liderada pela Baker & McKenzie se expandiu para além do âmbito do inquérito inicial das autoridades norte-americanas, revendo centenas de milhares de documentos e realização de mais de 100 entrevistas, disse a empresa em comunicado. No processo, a Embraer disse que os investigadores concluíram que a empresa foi responsável por práticas em desacordo com as leis em quatro operações entre 2007 e 2011. Os negócios envolvem oito aviões Super Tucano para a República Dominicana; três aviões de vigilância para a Índia por valor não revelado; dois jatos comerciais E190 vendidos a LAM, aérea estatal de Moçambique; três jatos E170 vendidos à estatal de petróleo Saudi Aramco para a aviação de negócios.

CÉREBRO SE ADAPTA PARA SER CADA VEZ MAIS DESONESTO, DIZ PESQUISA
Desonestidade gera desonestidade. Não entre pessoas diferentes, mas só para quem pratica. Um estudo publicado nesta semana na revista Nature Neuroscience aponta que repetidos atos de comportamento desonesto em prol de si próprio diminuem a sensibilidade do cérebro para a desonestidade. O que a frase acima quer dizer é o seguinte: quanto mais a pessoa pratica atos desonestos, mais seu cérebro acredita que tal ação não é tão ruim assim. A pesquisa provocou e mediu a desonestidade em um ambiente controlado para notar que há uma explicação biológica para aquelas "escorregadas" em que pequenos desvios da verdade tornam-se, ao passar do tempo, uma bola de neve de atos desonestos substanciais. Os cientistas da britânica Universidade College London pediram para 80 adultos, entre 18 e 65 anos, avisar uma segunda pessoa sobre a quantidade de dinheiro que havia em um frasco de vidro com moedas de um centavo. Em meio a isso, os autores analisaram se a desonestidade sobre o conteúdo do frasco beneficiaria o participante à custa de seu parceiro, beneficiaria ambas as partes, beneficiaria o parceiro à custa do participante, beneficiaria apenas o participante sem afetar o parceiro ou beneficiaria o parceiro do estudo sem afetar o participante. Os pesquisadores perceberam que a desonestidade foi intensificada ao longo de vários testes em um maior grau para as duas condições que beneficiariam o participante (seja à custa dou outro ou também beneficiando o parceiro) em comparação aos cenários em que o parceiro era beneficiado em detrimento dos participantes. “Quando mentimos para ganho pessoal, a nossa amígdala produz um sentimento negativo que limita o quanto estamos preparados para mentir. No entanto, essa resposta diminui à medida que continuamos a mentir, e quanto mais ela cai, maiores nossas mentiras se tornam"(Tali Sharot, autor sênior da pesquisa e professor de psicologia experimental)”. As pessoas tenderam mais a buscar se sair melhor nas situações apresentadas, seja para benefício ou não do outro envolvido. Além disso, o nível medido de desonestidade e o grau que essa desonestidade alcançou foram maiores quando a desonestidade beneficiou apenas o participante, comparando-se com quando apenas o parceiro foi beneficiado, o que sugere uma busca pelo interesse próprio. Um grupo de participantes completou o teste enquanto sua atividade cerebral era monitorada por ressonância magnética. Entre estas pessoas, os autores viram que a amígdala, uma região do cérebro sensível a eventos que envolvem emoções, mostrou sinais contrários nas situações presentes no estudo. As amígdalas reduziram progressivamente a resposta para a desonestidade em benefício próprio, mas não para a que prejudicava o participante. A redução dessa resposta pode ser usada para explicar por que a desonestidade em benefício próprio se intensificou no teste seguinte. O estudo apontou um papel primordial e quase único das amígdalas para a desonestidade que beneficia quem a pratica. Isso pode levar a pessoa a uma "ladeira escorregadia", onde pequenos atos de desonestidade transformam-se em mentiras mais significativas.

ANÁLISE: CUIDADO COM O ATAQUE DE DRONES CIBERNÉTICOS
Torradeiras e frigideiras ao ataque. Esta é a manchete apocalíptica que poderíamos ler algum dia, graças à aparentemente incontestável tendência a conectar itens mundanos à internet. Não pense que ela é exagerada demais. Projeta-se que mais de US$ 970 bilhões serão gastos em aparelhos da internet das coisas no próximo ano, de acordo com dados da Bloomberg Intelligence e da IDC. Não é à toa que "coisas" tenha sido o substantivo escolhido para descrever todo e qualquer aparelho que pode ser conectado à internet. Poucas outras palavras abarcam essa imensidão, e "troço" simplesmente não é elegante. Como vimos na semana passada, no entanto, conectar coisas à internet também abre a possibilidade para que enormes redes de robôs, também conhecidos como botnets, sejam transformados em exércitos de drones por qualquer pessoa com as ferramentas de software para dominar aparelhos suficientes. Uma dessas ferramentas se chama Mirai, uma espécie de software malicioso (malware) que, além de ter sido implementado com destreza e eficiência no mês passado para derrubar o site do jornalista Brian Krebs, famoso investigador sobre segurança, foi liberado para que qualquer um possa copiar e adaptar para uso próprio. E foi exatamente isso o que aconteceu no ataque de sexta-feira (21). Jeff Jarmoc, consultor de segurança, publicou no Twitter: "Em um período relativamente curto, dominamos um sistema elaborado para resistir à destruição com armas nucleares e o deixamos vulnerável a torradeiras". Embora a prevalência de drones voadores tenha gerado o medo de que brinquedos aéreos possam ser transformados em armas, a simples quantidade de aparelhos conectados à internet e a falta de segurança integrada a eles mostra que a maior ameaça é que praticamente qualquer objeto pode ser transformado em um drone cibernético. De acordo com Krebs e com a empresa de segurança Flashpoint, é possível atribuir a origem da maioria dos ataques mais recentes a componentes para gravação de vídeo digital e câmeras conectadas à internet fabricados pela empresa chinesa XiongMai Technology. Eu não posso afirmar que a XiongMai de fato seja a fonte dessa vulnerabilidade, mas o fato de que pesquisadores tenham conseguido seguir o rastro de componentes infectados até uma fornecedora de hardware é uma característica da epidemiologia cibernética que apresenta um interessante dilema moral e jurídico: os fabricantes têm a responsabilidade de proteger seus aparelhos? Um caso pouco conhecido que ocorreu no começo deste ano nos EUA ajuda a responder a essa pergunta. A Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos processou a taiwanesa Asustek por deixar roteadores e serviços em nuvem vulneráveis. Por causa dessa segurança insuficiente, hackers podiam (e puderam) controlar o tráfego web dos usuários. Eu sei disso porque fui uma das vítimas. A Asustek acabou resolvendo o caso e concordou em aumentar a segurança e submeter-se a auditorias durante 20 anos. Processar empresas individualmente por deficiências específicas parece combater um incêndio florestal com uma pistola de água, mas é melhor do que nada e, pelo menos, faz com que fabricantes de aparelhos se conscientizem de sua responsabilidade moral. Seria melhor implementar padrões internacionais de segurança para a internet das coisas, do mesmo modo em que especificações tecnológicas estão em vigor para aparelhos com bluetooth e wi-fi. Isso ajudaria a lidar com o problema dos diversos tipos de aparelhos e sistemas diferentes que entram na categoria da internet das coisas. A União Europeia já começou a trabalhar nessa questão, porque esboçou regras para classificações e normas de defesa contra hackeamento para a internet das coisas, com base no modo que os eletrodomésticos são classificados segundo a eficiência energética. Padrões melhores precisam surgir o mais rápido possível. Embora hackers possam transformar aparelhos como câmeras, geladeiras e torradeiras em drones cibernéticos, não se esqueça de que muitos drones aéreos também são uma forma de internet das coisas. Agora imagine se eles forem hackeados, em massa.

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