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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CAUSOS DO BLOG

MARIA PARACATU
por Geraldo Duarte*

Quando menos se espera, o inusitado surge sob a forma de historieta, anedota ou causo. Maior das vezes, aludindo a personagens populares ou descrevendo acontecimentos infrequentes. Ou a ambos.
Nosso ledor, contado entre os amigos, Hélio Ribeiro Pinho, técnico aposentado e pertencente aos quadros de pessoal do antigo Departamento Estadual de Estradas e Rodagens (DAER), dentre outros relatos, trouxe-nos o motivador deste artiguete.
O fato deu-se em Itapajé, sua terra, no Distrito de Soledade. Mesmo ocorrido em meados do século passado, ainda hoje, figura em narrativas pitorescas da cidade.
Repentinamente, faleceu Maria Paracatu, pessoa conhecida e benquista no lugarejo. Raimundo, seu marido e paraplégico, socorreu-se da caridade pública para a realização dos atos fúnebres, pois eram mais pobres que a previsão da lei caracterizadora.
Conseguidos estronca, rede nova, mortalha e a escavação de cova no cemitério estava garantido o enterro. Para a sentinela à falecida, cada participante trazia algum “de comer ou de beber”. Noite toda de “miolo de pote” com cachaça e farofa de ovos.
Meio da manhã. Tipoia com a morta, armada na haste de madeira, sobre os ombros de dois carregadores, abria o cortejo. Seguiam-se Raimundo, cadeirante, e os demais conhecidos e moradores.
Próximo ao campo santo, o inacreditável. “Que diabo é isso? Valha-me Deus!”.
Susto e correria total. Não sobrou ninguém para acudir a “ex-finada” que, aturdida, ficou sentada no chão a espraguejar os fujões.
Dizem que, até Raimundo, levantou-se da cadeira e correu. Curou-se da paralisia e, com a mulher, viveram por muito tempo.

(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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