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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CAUSOS DO BLOG

TIRA-GOSTO, NÃO!
por Geraldo Duarte*

Surge este causo da narrativa de conhecido sobralense, membro de academia cultural, destacado profissional e escritor de obra técnica.
Na Princesa do Norte, como intitula sua terra, uma famosa mercearia do século passado ainda tem espaço na memória de antigos moradores.
Cuida-se da Bodega do Zé Maria, havida no final da Rua Joaquim Ribeiro, próxima do Prado, onde se realizavam corridas de cavalos do Jockey Club.
Empório de grande e variado estoque de produtos alimentícios e artigos de diversos tipos, possuía vasta clientela, servindo, indistintamente, todas as classes sociais. Até a tradicional Caderneta de Fiado tinha lugar reservado no fiteiro, ao lado da balança de dois pratos.
Ali, zelava-se pelo máximo de respeito, inclusive, aqueles que bebericavam tomavam suas bicadas e retiravam-se. Não era admitida a permanência de “papudinhos melados”.
Certa madrugada, um “amigo do alheio” tentou arrombar uma das portas. Não conseguiu e Zé passou a dormir no estabelecimento.
À noite, para não ir à latrina, no fundo do quintal, urinava numa garrafa e colocava-a debaixo do balcão, próxima das de aguardente, à espera da hora de esvaziá-la.
Outro Zé, o Doca, tipo popular muito conhecido no município, de duas em duas horas, entrava e, rapidamente, de única talagada, ingeria uma dose de cachaça.
Intenso movimento de fregueses. Atendendo, em igual tempo, a todos. Deu-se o equívoco. O merceeiro pegou a garrafa errada e serviu urina. Quando Doca, bêbado a mais não poder, notou, o líquido já descia garganta abaixo e o protesto saía boca afora.
“Égua! É mijo puro! Só falta o tira-gosto ser de m...”.

(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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