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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

TEXTO DO BLOG

A MALDIÇÃO DAS CAPITANIAS.
por Luiz Soares da América do Sul*

Rebuscando a nossa história talvez, quem sabe possamos encontrar, o porquê da nossa eterna falência, com relação à honestidade, a moral e a ética.
O Tratado de Tordesilhas, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de junho de 1494, celebrado entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela se propunha a dividir as terras “descobertas e por descobrir” por ambas as Coroas fora da Europa.
Os Bandeirantes, homens rudes e violentos, formando milícias que se empenhavam na caça aos índios e escravos fugidos, como desculpas; pois, na verdade desejavam sim descobrir minas de ouro e diamantes.
As Capitanias Hereditárias, um sistema criado pelo rei de Portugal, D. Joao III, tinha o objetivo de colonizar o Brasil, evitando assim invasões estrangeiras. As capitanias foram uma forma de administração territorial do império português pela qual a Coroa, com recursos limitados, delegou a tarefa de colonização e exploração de determinadas áreas. O sistema consistiu em dividir o território brasileiro em grandes faixas e entregar a administração para particulares (donatários), combinando elementos feudais e capitalistas, principalmente nobres com relação a Coroa Portuguesa, de forma hereditária, ou seja, de pai para filho, com o direito de explorar madeira, animais, minérios, etc., pelos idos de 1534.  
A maldição tomou corpo e forma. Agigantou-se em proporções alarmantes. A propina e a sonegação, a exploração do homem pelo homem, fez surgir à casta dos poderosos, sempre acastelados no apogeu da riqueza. Os senhores feudais contaminou a integridade e fez sucumbir à possibilidade da emancipação e, por conseguinte, a independência do nosso país.
Nesta dantesca odisseia, a maldição sobreviveu até os nossos dias atuais, rompendo séculos e séculos com a sua incontestável promiscuidade. A genuína e indestrutível ganancia capitalista é uma desgraça, que não respeita, que não deixa, ao menos existir, mesmo em laços tênues, os ditames da cidadania.
Ah! O regime democrático. Que nada, a maldição continua de uma forma mais light. Os poderes constituídos mantem os mesmos objetivos e convicções. O roubo campeia assuntosamente e livremente, desta feita, de modo institucionalizado, não importando se na forma direta ou indireta, que não vem ao caso – Roubo É roubo e ponto final.
Convenhamos, nos momentos atuais o Brasil sabe e tem conhecimento. O país está gradativamente saindo da escuridão. A luz surge como contraponto ao proselitismo político, ao cinismo democrático, a manipulação da massa como manobra de perpetuação do poder, ao desencanto inalcançável de também poder usufruir das benesses, tanto do governo, como também na iniciativa privada.
Supostamente a guardiã da democracia, ou seja, a Constituição se transformou num amontoado de palavras fétidas, oportunistas e inúteis. Serve apenas como pano de fundo para iludir a todos nós – eternos babacas. Assim nos mantemos num dos piores confrontos. Para nós não existe nem passado e muito menos o futuro; pois no tempo presente, continuamos perdidos, inúteis e acovardados.
Ninguém assume a si próprio. Todas as mazelas são imediatamente transferidas ao poder público. Sujam para o governo limpar. Quebram para o governo consertar. Drogam-se para o governo tratar. Abusam no transito como condutores para o governo tratar ou mantê-los como beneficiários precoces da previdência. Fazem proliferar as pragas domesticas e se transformam em vítimas. Poluem e desperdiçam todo o sistema hídrico e choram pela falta da água, culpando o estado. Frequentam a rede escolar, em todos os níveis educacionais, na condição de apáticos e desqualificados ouvintes. Desejam, gritam e esperneiam cobrando sempre o Progresso; mas, abominam a Ordem.
Por fim, uma conclusão. Enquanto existir o oportunismo nada será ou poderá ser diferente. Ao Rei tudo, menos a minha honra. Por isso mesmo temos que lutar contra essa maldição, que começa dentro de cada um de nós. O antidoto tem que servir de dentro para fora. Ai, sim podemos dizer que somos um país das igualdades, da honestidade, da ética e do respeito aos nossos incontáveis recursos naturais. 


(*) Luis Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.

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