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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

TEXTO DO BLOG

ENIGMÁTICO CASTANHÃO
por Geraldo Duarte*

Leiguice afasta-me do trato como ciência hidrológica. Apenas o perquirir da curiosice devido ao fenômeno da seca.
O Castanhão, mesmo distante de milagre, nomina-se Açude Público Padre Cícero e, dele, avolumam-se preocupantes notícias.Antes, durante e depois da construção, os idealizadores e empreendedores diziam-no a solução hídrica do Ceará e do Nordeste. Os ultraeufóricos mostravam-no exemplo de engenharia mundial. Quintessência da açudagem.
Os rios Jaguaribe e Salgado abasteceriam, de forma perene, os 6,7 bilhões de m3 de potencialidade de armazenagem d’água.
Realizaram a gigantesca obra, ao que se comenta, sem projeto técnico concluído. Hoje, 13 anos decorridos, a vazão regularizada ainda é assunto discutível. Quanto à evaporação, dado ao imenso espelho d’água, afirmavam seus realizadores ser da ordem de 1700 milímetros, diferente dos 2500 milímetros, noticiados atualmente.
Alegações existem de situar-se o reservatório em área de risco sismal.
Para erigi-lo, Jaguaribara foi alagada. Mais de dez mil pessoas deslocadas. Dali e dos municípios de Jaguaretama e Alto Santo. Desapropriações vultosas. Edificação de nova cidade e problemática impensável.
Conceituados estudiosos defenderam que, por um terço do custo, construir-se-iam de 10 a 12 açudes de médio porte, com capacidade aproximadas de 500 milhões de m3, fundações de 2 a 4 metros de profundidade, em regiões de cristalino nos afluentes do rio Jaguaribe.
Em 2009, final do inverno, o represamento aproximou-se do máximo, acima do nível de alerta de controle de enchente, sem que se abrissem as comportas. A sorte - no asseverar dos especialistas - foi inexistir, na ocasião, forte chuva e possível rompimento de um dos diques.
Agora, vê-se o gigantão quase seco, servido pelo Orós, com a piscicultura quase extinta e preocupante fissura na barragem.
Tais cenários indesejáveis e arriscados poderiam ter sido evitados? Ou, a tecnologia atestada e de há muito usual do Dnocs não seria bastante em resultados ideais e seguros?
Ao constatado, anteriormente à feitura do açude, manifestações de renomados profissionais fizeram-se contrárias à localização, a concepção, dimensionamento e outros aspectos pertinentes.
Em 1999, o ex-diretor do Dnocs, engenheiro Cássio Borges, lançou o livro A Face Oculta da Barragem do Castanhão: em Defesa da Engenharia Nacional. Trabalho de estudos e análises críticas, detalhamentos específicos e concatenação expositiva capaz de entendimento dos ledores em geral.
Somados quase vinte anos, comprovou-se em Cássio um realístico futurólogo. Todos os erros apontados hão, realmente, demonstrados. A segunda edição, com inéditas apreciações, em breve estará nas livrarias, garante o autor. Será tempo de polêmicas na certa!                       

(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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