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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

TEXTO DO BLOG

OS DESAFIOS – AS CAUSAS E AOS SEUS EFEITOS.
por Eng. Agr. Luiz Soares da Silva, da América do Sul*

Assistindo e ouvindo uma saraivada de discursos, neste período que antecede o destino de muitas cidades nordestinas, tendo como atores, alguns homens e mulheres, candidatos a vereador(a), prefeito(a) e vice, numa performance quanto ao conteúdo, que mais se assemelha a um disco de vinil, rodando numa radiola antiquada e fora de rotação.
A eloquência é invejável. O raciocínio segue um velho chavão. Todos se esmeram no tema educação, saúde, segurança, mobilidade urbana, saneamento, empreguismo, ocupação, de uma forma eminentemente abstrata, irreal e disforme, quanto à metodologia das causas e aos seus efeitos. Como sempre atribuem ao poder público a função de protetor e promotor de um comportamento inútil, já bastante corroído no tempo passado e inútil no tempo presente.
O estado paternalista impera na visão e raciocínio dos pretensos candidatos. Também pudera, muitos deles assumiram e se mantém na cômoda posição de meros intermediários, ou de facilitadores aos supostos serviços básicos, constitucionalmente oferecidos, capazes de justificarem a própria essência do dever da municipalidade. Quem atira com a pólvora alheia não mede distância. Praticam ou se esforçam em praticarem um assistencialismo vil, que torna o suposto “beneficiário” um dependente político.
O marasmo constrói pessoas que se comportam como verdadeiros parasitas. A esse parasitismo se soma ao proselitismo político, a uma gestão puramente assistencialista, da busca de ocupação não através da meritocracia; mas, sim, pela subserviência ao poder constituído, com uma única visão de empreguismo. A dependência politica não permite a emancipação, que por sua vez, estimula um conceito de sociedade, com o dom e dotes do oportunismo.
Muitas cidades têm grandes aglomerados humanos cursando os bancos escolares, em todos os níveis educacionais. A custa de muitos sacrifícios, esses jovens trazem, infelizmente dentro de si, o estigma das incertezas. Famílias lutam e assistem um ritual diário, que supostamente poderia mudar o destino, de nunca estar ou fazer parte de uma vala, numa prisão chamada ociosidade crônica, que se deixa observar, em todos os ditames da vida atual.
A frustração dos que cursaram e daqueles que ainda acalentam o sonho da emancipação pela meritocracia, leva ao desespero silencioso, não somente destes abnegados e traídos sonhadores, como também dos seus pais; e, por conseguinte de toda a sociedade.
O desespero conduz a vereda de revolta, que mata a esperança e que se sobrepõe à ética, a ordem constitucional e a honestidade. Mentes brilhantes se tornam escravos do acaso. E eis que surgem as opções, tendo como ponto de referência, numa sociedade de puro consumismo, o caminho fácil das drogas, dos assaltos, da prostituição e até mesmo do crime banalizado. Uma degradação vil e muitas vezes irreparável. Zumbis humanos na estatística da vergonha.
O antidoto existe. O empreendedorismo é parte de um contexto puramente conceitual. O planejamento tem que gerar oportunidades, para todos aqueles que já saíram dos bancos escolares; mas, ainda são meros espantalhos no mercado de trabalho. E, para os que ainda se sentam ou se fazem presentes, nas salas de aulas, uma oportunidade, um rumo, um incentivo a meritocracia e não a mitologia da subserviência crônica.
Portanto, ao município cabe sim, uma visão de eficiência quantos aos serviços básicos; e, muito mais, ser o vetor propulsor, de modo que os EFEITOS sejam superiores ao escárnio da malíssima banalização das causas.

(*) Luis Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.

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