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terça-feira, 13 de setembro de 2016

RAPIDINHAS DO BLOG...

EFEITO LAVA JATO ABRE ESPAÇO PARA CONSTRUTORAS MÉDIAS
Os R$ 5 bilhões que separam o faturamento da gigante Andrade Gutierrez e da gaúcha Toniolo, Busnello são o retrato de uma concentração que sempre dominou o setor. Hoje, no entanto, a diferença nos números não é parâmetro para traduzir a realidade de cada empresa. Nos últimos dois anos, enquanto o império da Andrade, uma das líderes do setor, encolhia dia após dia por causa da Operação Lava Jato, a empreiteira do Sul ganhava mercado e crescia em ritmo chinês. Em 2015, as receitas da empresa tiveram aumento de 18% e alcançaram R$ 720 milhões – montante que rendeu nove posições no ranking da construção. Fundada em 1945, a empreiteira chegou a 21.ª posição no ano passado (ou 14.ª se for considerada apenas a construção pesada). “Vivemos um momento de grandes oportunidades num setor que deve ficar menos concentrado nos próximos anos”, avalia o diretor da construtora, Humberto Cesar Busnello, filho de um dos fundadores da companhia.  As apostas do executivo estão ancoradas no enfraquecimento das construtoras envolvidas na Lava Jato. Das 15 maiores empreiteiras do País em 2014, nove companhias – até então responsáveis pelos principais projetos e concessões brasileiras – estavam envolvidas no escândalo de corrupção. De lá pra cá, muitas delas entraram em recuperação judicial, abandonaram obras e estão sem condição – financeira e moral – de entrar numa nova empreitada. Para se ter ideia, em 2013, antes da Lava Jato, o faturamento das 15 maiores construtoras do País somava R$ 51,1 bilhões, segundo o ranking da revista O Empreiteiro. No ano passado, esse montante caiu para R$ 30,4 bilhões. Odebrecht, líder absoluta na última década, e OAS, em recuperação judicial, não quiseram entrar no levantamento. Com as grandes companhias fora de combate, as construtoras do chamado “grupo intermediário” começam a ocupar um espaço estratégico e podem ditar uma nova configuração do setor de construção. “As grandes construtoras vão continuar no mercado, mas com uma representatividade muito menor”, afirma o sócio da KPMG, Mauricio Endo, especialista nas áreas de governo e infraestrutura. Não faltam candidatas para ocupar esse vácuo deixado pelas gigantes do setor de construção. Na lista, estão nomes desconhecidos da maioria da população, mas que já alcançaram faturamento bilionário a exemplo de Serveng-Cilvisan e ARG. Essa última, no entanto, já teve o nome citado no escândalo do Mensalão. Outras empresas também já passaram por investigações no passado por suposto envolvimento em doações e pagamento de propina, como a Arteleste – segunda maior recebedora de recursos do governo federal neste ano na construção de viadutos e pontes. A empresa não se pronunciou. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, conta que, a pedido de uma instituição financeira, selecionou 30 construtoras com capacidade de tocar obras importantes no País. A Paulitec estava entre elas. No ano passado, a empresa faturou R$ 249 milhões e ganhou 17 posições no ranking de construtores – de 77.º lugar para 60.º, em 2015. “Estamos ganhando obras maiores que antes ficavam nas mãos das grandes empreiteiras”, afirma Márcio Paulikevis dos Santos, diretor-presidente da Paulitec. Quase 100% da carteira da empresa é formada por obras públicas.

NASA LANÇA NAVE QUE VAI TRAZER AMOSTRAS DE ASTEROIDE À TERRA
A agência espacial norte-americana (Nasa) lançou na semana passada ao espaço a nave Osiris-Rex, que terá a missão inédita - com duração de sete anos - de viajar até um asteroide e trazer amostras de volta à Terra.  A sonda deverá chegar em agosto de 2019 ao primitivo asteroide Bennu, de onde voltará em 2023 com uma quantidade de amostras interestelares maior que qualquer outra missão desde a era Apolo, quando a agência americana enviou homens à Lua. Com cerca de 500 metros de diâmetro, o asteroide Bennu provavelmente sofreu poucas mudanças desde sua origem e pode ser composto por materiais presentes na época da formação do Sistema Solar. Ao estudá-lo, os cientistas pretendem entender melhor a formação dos planetas e a origem da vida. De acordo com a Nasa, o lançamento realizado com o foguete Atlas V teve taxa de sucesso de 100%. O procedimento foi cercado de precauções, depois que um foguete da empresa de transporte espacial SpaceX se explodiu, no dia 1º de setembro, enquanto era abastecido para um teste de rotina. "Hoje, celebramos um imenso marco para essa missão notável e para a nossa equipe. Estamos muito emocionados com o que essa missão pode nos revelar sobre a origem do nosso Sistema Solar. Celebramos um avanço da ciência que está nos ajudando a fazer descobertas e estabelecer marcos que podem ter sido ficção científica no passado, mas são fatos científicos atualmente", disse o administrador da Nasa, Charles  Bolden. De acordo com os cientistas da Nasa, asteroides como o Bennu são remanescentes da formação do Sistema Solar, há mais de 4,5 bilhões de anos. Eles suspeitam que esses asteroides podem ter sido a fonte da água e das moléculas orgânicas para a Terra em seu estágio primitivo.  Uma amostra de um asteroide, extraída diretamente do espaço - e por isso não contaminada - poderia permitir análises precisas, fornecendo resultados que jamais seriam atingidos por instrumentos de espaçonaves ou estudos de meteoritos, de acordo com os cientistas. O lançamento da Osiris-Rex ocorreu às 20h05 (horário de Brasília) de quinta e, uma hora depois, foram estendidos os painéis solares que já estão fornecendo energia à espaçonave, de acordo com o pesquisador chefe da missão, Dante Lauretta, da Universidade do Arizona em Tucson (Estados Unidos). "Com o sucesso do lançamento, a nave Osiris-Rex embarca em uma jornada de exploração para Bennu. Eu não poderia estar mais orgulhoso da minha equipe que tornou essa missão uma realidade e mal posso esperar para ver o que vamos descobrir em Bennu", disse Lauretta. Ao chegar em Bennu em 2018, a espaçonave de duas toneladas deverá iniciar uma intrincada dança com o asteroide, mapeando-o por todos os lados durante dois anos, enquanto se prepara para a coleta de amostras. Em julho de 2020, a nave executará uma manobra delicada, na qual seu braço de 3,3 metros se estenderá para alcançar a superfície do asteroide e, em cinco segundos, coletar pelo menos 60 gramas de pequenas rochas e poeira. A nave voltará à Terra em setembro de 2023, quando será transportada para exames ao Centro Espacial Johnson, da Nasa, em Houston (Estados Unidos). O asteroide Bennu, descoberto em 1999, é classificado pelos astrônomos como um dos "asteroides potencialmente perigosos", por sua relativa proximidade com a órbita da Terra. Bennu se aproxima da Terra a cada seis anos, mas terá seu encontro mais próximo em 2135, quando passará entre o planeta e a Lua. Os cientistas calculam que o potencial de impacto do asteroide com a Terra será maior em oito oportunidades entre 2169 e 2199.

COM QUEDA NO MERCADO DE PCS, INTEL MIRA NOVOS SETORES
Se o mercado de tecnologia tivesse uma calçada da fama, a estrela da Intel seria uma das principais. A companhia norte-americana foi uma das pioneiras no desenvolvimento de processadores para computadores, virou sinônimo para chips e chegou a valer mais de US$ 500 bilhões em seu auge, na metade do ano 2000. Hoje, com valor de mercado de US$ 149 bilhões, a Intel não deixou de ser uma gigante, mas sua estrela tem perdido o brilho de antigamente na mesma velocidade do declínio dos PCs. Esse mercado viveu o pior ano de vendas globais da história em 2015 e prejudicou a Intel, que tem mais da metade de sua receita atrelada aos chips para computadores e há anos sofre para achar seu papel na indústria pós-PC. No balanço do último trimestre divulgado pela Intel, fica clara a dependência da companhia em relação aos processadores para PCs. Da sua receita de US$ 13,5 bilhões obtida entre abril e junho, US$ 7,3 bilhões (54%) vieram da área de computação. Na comparação ano a ano, a empresa perdeu 3% da receita com processadores para PCs. E o cenário para os próximos meses não é promissor: segundo previsão da consultoria Gartner, as vendas globais de PCs devem cair 3% em relação ao ano passado, o que deve fazer 2016 superar o péssimo resultado do ano passado. “O mercado de computadores é difícil”, afirma a analista de pesquisas da Gartner, Mikako Kitagawa. “A Intel está tentando mudar sua estratégia para ir além dos computadores e encontrar um mercado em que sua tecnologia também faça sentido”. As tentativas da empresa de mudar o foco têm sido infrutíferas há anos. Quando o setor de smartphones decolou, com o lançamento do primeiro iPhone em 2007, a Intel deixou os dispositivos móveis em segundo plano. Somente em 2012, a companhia conseguiu convencer os primeiros fabricantes a adotar seu primeiro processador Atom, o Medfield. “A Intel não soube entrar no mercado de smartphones”, explica o pesquisador do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica da USP, Renato Franzin. “Eles tentaram colocar chips de computadores em tablets e smartphones, só fazendo uma adaptação. Não deu certo”. Entretanto, àquela altura, a maior parte dos smartphones já usava processadores baseados na arquitetura ARM. A empresa britânica – que foi comprada nesta semana pela SoftBank por US$ 31 bilhões – se tornou relevante ao adotar uma estratégia diferente da Intel: em vez de projetar e vender os chips, a empresa só desenvolveu a arquitetura e a licencia para qualquer fabricante interessado. Em 2015, os chips ARM, fabricados em sua maioria pela Qualcomm e NVidia, estavam em 85% dos smartphones, tablets e notebooks vendidos em todo o mundo. “A ARM não concorre com os grandes fabricantes”, afirma José Antonio Scodiero, presidente da Fast Company, que representa a ARM no Brasil.
ARRUMANDO A CASA
Em maio deste ano, a Intel demitiu mais de 12 mil funcionários para “focar em áreas mais rentáveis”. E o presidente executivo Brian Krzanich descontinuou a linha de processadores para smartphones, depois de gastar mais de US$ 10 bilhões para tornar a empresa competitiva nessa área, segundo estimativas de consultores especializados. “Não estamos abandonando nada do que estamos fazendo”, afirma o diretor de desenvolvimento de tecnologias da Intel para a América Latina, Reinaldo Affonso. “Estamos apenas direcionando os recursos para áreas que precisam de mais carinho para crescerem solidamente e mais rápido”. A empresa também anunciou que vai licenciar a arquitetura ARM para fabricar chips projetados por terceiros. Isso permitirá que empresas como a Apple e Qualcomm terceirizem a produção de processadores com essa arquitetura nas avançadas linhas de produção da Intel espalhadas pelo mundo. Isso pode ajudar a gigante a faturar, ao menos um pouco, com o bilionário mercado móvel.
NOVO HORIZONTE
Além da mudança na estratégia móvel, a Intel passou a desbravar novos segmentos. O primeiro foi o de chips para servidores de data centers, que estão no centro da estratégia das empresas que apostam na computação em nuvem. No segundo trimestre de 2016, teve ganhos de US$ 4 bilhões nessa área, que já representa quase 30% da receita total da empresa. “Nossos negócios em data center crescem a cada ano”, explica Affonso. “Atuamos não só em processadores, mas também em software para data centers”. O segmento pode ser um dos mais promissores para a Intel, porque o processamento da maior parte dos programas migrou do PC para a nuvem. “Hoje, a inovação acontece na nuvem e a infraestrutura é o que faz as coisas funcionarem”, afirma Franzin, da USP. Outra área que promete ganhos, ainda que num futuro distante, é a “internet das coisas” – apelido dado à revolução tecnológica que vai conectar todos os dispositivos à nossa volta. Atualmente, o segmento representa só 4,2% da receita da Intel. “Internet das coisas é o nosso próximo grande negócio”, aposta Affonso. No último evento para desenvolvedores da Intel, o IDF 2016, a empresa mostrou que está desenvolvendo chips, como o Joule, para funcionar em qualquer dispositivo – de óculos de realidade virtual a drones –, mas oferecendo a mesma potência de um computador. Se conseguir emplacar seus chips nessa nova área, a Intel terá boas chances no futuro. “O processador continua sendo o filé da indústria e a Intel domina esse segmento”, diz Franzin. “Ainda não existe uma Pepsi para a Intel.”

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