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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

RAPIDINHAS DO BLOG...

CONTAS DO GOVERNO TÊM ROMBO DE R$ 51 BILHÕES ATÉ JULHO, PIOR EM 20 ANOS
As contas do governo tiveram déficit primário (despesas maiores do que receitas sem contar juros da dívida pública) de R$ 51,07 bilhões nos sete primeiros meses deste ano. Segundo os dados oficiais, divulgados na terça-feira (30) pela Secretaria do Tesouro Nacional é o pior resultado para o período de toda a série histórica, que tem início em 1997 – ou seja, em 20 anos. Até então, o maior déficit fiscal para os sete primeiros meses de um ano havia sido registrado em 2015 (-R$ 8,9 bilhões). O aumento do rombo fiscal das contas públicas acontece diante do fraco desempenho da arrecadação – em decorrência do baixo nível de atividade – e também da dificuldade por parte do governo em cortar gastos públicos, em um orçamento com um alto grau de vinculações. Com recessão castigando a economia brasileira, a receita total teve queda real de 6% nos sete primeiros meses deste ano, para R$ 753 bilhões. Sem contar a inflação, houve um aumento nominal de 2,9% no período. Ao mesmo tempo, as despesas públicas totais cresceram, em termos reais, 0,8% até julho, para R$ 682 bilhões. Em termos nominais, a alta foi de 10,3%. "A contenção de despesas discricionárias [que não são obrigatórias] continua, mas não é capaz de conter a expansão de despesas obrigatórias, em especial das despesas da Previdência. Precisamos nos confrontar com reformas estruturais para reequilibrar as contas públicas", avaliou a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi.
MÊS DE JULHO
Somente em julho deste ano, ainda segundo números oficiais, as contas do governo registraram um déficit primário de R$ 18,55 bilhões. Com isso, houve piora frente ao mesmo período do ano passado (-R$ 7,14 bilhões). O rombo fiscal das contas também foi o pior, para meses de julho, desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997. Ou seja, foi o pior resultado para este mês em 20 anos. De acordo com Ana Paula Vescovi, do Tesouro Nacional, houve o pagamento, em julho deste ano, de R$ 9,8 bilhões em subsídios, subvenções e valores para o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), além de R$ 2,9 bilhões em ajuda emergencial ao município do Rio de Janeiro - em função da Olimpíada. Esses valores impactaram o resultado das contas. Por outro lado, o governo recebeu, no mês passado, R$ 1,2 bilhão relativo à última parcela da concessão de 29 usinas hidrelétricas. O valor total recebido pela União totalizou R$ 17,4 bilhões no acumulado deste ano, sendo outros R$ 11 bilhões em janeiro e R$ 5,2 bilhões em junho.
ROMBO DA PREVIDÊNCIA
A Secretaria do Tesouro Nacional informou também que o rombo da Previdência Social (sistema público de previdência que atende aos trabalhadores do setor privado) avançou de R$ 39,11 bilhões nos sete primeiros meses do ano passado para R$ 72,26 bilhões em igual período de 2016. Um aumento de 83,4%. Recentemente, o governo elevou para R$ 149,23 bilhões sua previsão para o déficit da Previdência Social em 2016. Em 2015, a Previdência registrou resultado negativo de R$ 86,81. A equipe econômica do presidente em exercício, Michel Temer, já informou que pretende levar adiante uma reforma das regras da Previdência Social e discute alternativas com as centrais sindicais. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu que se estabeleça uma idade mínima para a aposentadoria pela INSS.
META FISCAL
Por conta do fraco resultado das contas do governo, a equipe econômica enviou ao Congresso e conseguiu aprovar a alteração da meta fiscal para um rombo de até R$ 170,5 bilhões em 2016 – o pior resultado da história, se confirmado. A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, assegurou que a meta fiscal deste ano será cumprida. "Se houver necessidade de contingenciamento [nos próximos meses], será feito. A meta será cumprida. Toda determinação que temos é de seguir todos os requisitos legais para cumprimento da meta", declarou ela. De acordo com dados oficiais, 2016 Será o terceiro ano seguido com as contas no vermelho. Em 2014, houve um déficit de R$ 17,24 bilhões e, em 2015, um rombo recorde de R$ 114,98 bilhões. Para 2017, a estimativa é de um novo déficit fiscal, da ordem de R$ 139 bilhões. A consequência de déficits fiscais seguidos é a piora da dívida pública e o aumento das pressões inflacionárias. Por conta do fraco desempenho da economia e da piora do endividamento, o Brasil já perdeu o chamado "grau de investimento" – uma recomendação para investir no país –, retirado pelas três maiores agências de classificação de risco (Standard & Poors, Fitch e Moody´s). Para tentar equilibrar as contas, a equipe econômica enviou ao Congresso uma proposta de emenda constitucional (PEC) para instituir um teto para os gastos públicos. Pelo projeto, os gastos, em um ano, passarão a ter um limite de crescimento: a inflação do ano anterior. Para analistas, o teto de gasto é correto, mas tem efeito limitado no curto prazo.

APÓS UM ANO ISOLADO EM VULCÃO, GRUPO DIZ SER POSSÍVEL VIVER EM MARTE
Um grupo de seis pessoas completou uma missão da Nasa na qual simularam como seria viver em Marte por um ano. "Assista ao vídeo". Eles conviveram em isolamento quase total, em um ambiente fechado no Havaí, nos Estados Unidos, sem acesso ao mundo exterior, comida fresca ou privacidade. Especialistas estimam que uma missão humana ao planeta vermelho levaria de um a três anos. O grupo contava com um francês que é astrobiólogo (estuda a origem e o futuro da vida no Universo), um físico alemão e quatro americanos: Carmel, um piloto, um arquiteto e um jornalista. Durante a simulação, o grupo teve de viver com poucos recursos, usar roupas de astronauta ao sair e trabalhar para evitar conflitos pessoais. Entre as comidas disponíveis estavam queijo ralado e atum enlatado. Após os 12 meses nesta situação, os seis participantes afirmaram estar confiantes. "Posso dar minha impressão pessoal, que é a de que a missão para Marte no futuro próximo é realista", afirmou o francês Cyprien Verseux, que integra o grupo. "Acredito que os obstáculos tecnológicos e psicológicos podem ser superados". Mas a comandante da missão, a cientista Carmel Johnston, disse que não ter privacidade por um ano não foi fácil. "É como dividir o quarto com colegas que estão sempre presentes, e você nunca consegue se distanciar deles - tenho certeza de que todo mundo consegue imaginar como é conviver assim com qualquer pessoa". O americano Tristan Bassingthwaghte, doutor em arquitetura pela Universidade do Hawaí, elogiou a missão. "Essa pesquisa é vital no momento em que for preciso escolher a equipe (que irá a Marte), descobrir como as pessoas se comportam de verdade em diferentes tipos de missões e lidar com o fator humano em viagens espaciais, colonizações ou o que mais estiver sendo analisado", disse o arquiteto.

COMO EMPRESAS DE INTERNET ARMAZENAM O QUE ELAS SABEM SOBRE VOCÊ?
Quando o ativista austríaco pró-privacidade Max Schrems solicitou seus próprios dados pessoais armazenados pelos servidores do Facebook, recebeu um CD-ROM com um documento de 1.222 páginas. Esse arquivo, cujas páginas impressas teriam quase 400 metros de comprimento se fossem colocadas lado a lado, é uma amostra do apetite da rede social por detalhes particulares dos seus 1,65 bilhão de usuários. A informação repassada ao ativista incluía números de telefone e endereços de e-mail de amigos e familiares; o histórico de todos os dispositivos que ele usou para acessar o Facebook; todos os eventos a que ele tinha sido convidado; todo mundo que ele tinha adicionado como amigo (e posteriormente desfeito a amizade); e um arquivo com suas mensagens privadas. Havia ainda transcrições de mensagens que ele tinha apagado. Schrems, que diz ter usado o Facebook ocasionalmente durante um período de três anos, acredita que parte considerável de suas informações pessoais ficaram retidas. O ativista recebeu registros de dados divididos em cerca de 50 categorias, mas acredita que existam mais de 100 diferentes. "Eles retiveram meus dados de reconhecimento facial, que é uma tecnologia que pode me identificar pelas minhas fotos. Eles não divulgam as informações de monitoramento, que é uma tecnologia ainda mais assustadora porque permite identificar se você já leu, por exemplo, uma página sobre carro esportivo e quanto tempo você demorou para ler". Em sua página de política de dados, a rede social afirma que armazena dados "pelo tempo necessário para fornecer produtos e serviços" aos usuários e os usa para melhorar seus fornecimentos de conteúdo, seus anúncios publicitários e suas medidas de segurança. O Facebook também é capaz de monitorar o uso da internet de pessoas que não fazem parte da rede social por meio dos cookies (arquivos de internet que armazenam temporariamente o que o internauta está visitando na rede) instalados nas máquinas, algo que levou a uma recente disputa judicial na Bélgica. Inicialmente, a Justiça belga havia determinado que a coleta de dados de usuários que não eram membros do Facebook era uma violação das leis do país, mas o Facebook entrou com recurso - e ganhou, em junho passado - ao argumentar que havia usado os cookies para garantir a segurança do serviço, agregando que descartava os dados após dez dias. Além disso, a Justiça belga acatou o argumento de que as autoridades regulatórias do país não tinham jurisdição sobre o Facebook, cuja sede europeia fica na Irlanda. A briga judicial e a experiência de Schrems ilustram os desafios que enfrentamos em uma era digital na qual dados de usuários de aplicativos de mensagens instantâneas, redes sociais, programas de busca sob medida, usuários e-mail e de aplicativos bancários têm seus dados pessoais coletados e armazenados num espaço virtual, a chamada "nuvem". Mas onde estão exatamente todos esses dados, como são usados, e quão seguros estão?
O GRANDE QUARTETO
Mais da metade dos armazenamentos em nuvem rentável do mundo é controlado por quatro grandes corporações. A Amazon é de longe a maior delas, com cerca de um terço da quota de mercado internacional e mais de 35 centros de dados em todo o mundo. Em seguida, Microsoft, IBM e Google aparecem na lista das empresas que mais armazenam dados. Cada uma delas adota um padrão global semelhante de servidores e armazenamento. Vários desses grandes provedores de nuvem normalmente duplicam os dados dos usuários em suas redes. Isso significa que informações enviadas para a nuvem no Reino Unido ou nos EUA, por exemplo, podem ser transferidas em algum momento para servidores nas principais cidades ao redor do mundo, como de Sydney para Xangai. O problema de se fazer isso, diz o professor Dan Svantesson, especialista em Direito da Internet na Universidade de Bond, na Austrália, é que "há sempre um risco de que o país destino dos dados não tenha o mesmo nível de proteção que a sua própria nação". "Se os seus dados vão parar em outro país, nem sempre está claro quem terá direito de acesso a eles, sejam provedores de rede ou quem aplica a lei", diz ele. Benjamin Caudill, consultor de segurança cibernética em Seattle, nos EUA, também se preocupa com a forma com que dados são distribuídos. "Ninguém realmente sabe bem como a salsicha é feita", diz Caudill, cujo trabalho prevê avaliar mecanismos de defesa das empresas de testes. "É muito difícil compreender onde os dados estão armazenados. Muitas vezes, as próprias empresas não têm certeza de onde todos eles estão", observa o consultor. Ele diz que um cliente seu, que usava o serviço na nuvem Azure, da Microsoft, foi vítima de um hacker - todos os dados e back-ups foram eliminados. Depois de muita pesquisa, verificou-se que uma parte dos dados perdidos tinha sido armazenada nos servidores do Azure em outro lugar. Ao mesmo tempo que foi um alívio para o cliente de Caudill, gerou desconfiança a aparente forma aleatória com os dados haviam sido alocados em servidores da Microsoft. "Ninguém realmente sabe quão seguro são os serviços em nuvem dos principais fornecedores", diz Caudill, que suspeita que "tanto Amazon como Azure tiveram a segurança comprometida em algum momento."
FALHA DE SEGURANÇA?
Por sua vez, todos os grandes provedores de nuvem pública dizem priorizar a segurança dos dados. Nas instalações do servidor do Google, na Carolina do Sul, por exemplo, guardas tomam conta das portas e são usados scanners biométricos de íris nas entradas no controle do acesso ao interior do centro de armazenamento de dados. Feixes de laser no chão identificam intrusos. Mas ninguém é capaz de afirmar que nunca houve nenhum tipo de violação ou falha da segurança. Um porta-voz da Microsoft disse à BBC que a empresa não apenas protege os dados de seus clientes como tem o compromisso de capacitar os usuários para ajudá-los a tomar decisões quanto a essas informações. "Recomendamos que os clientes visitem o Trust Center da Microsoft para saber mais sobre como seus dados são geridos e mantidos em segurança". A Amazon salienta que os clientes "têm total controle de seu próprio conteúdo". "Escolhem onde armazenar seus dados, que não são movidos a não ser que o cliente decida movê-los". Essa capacidade de escolher em qual a região os dados serão armazenados é cada vez mais popular entre empresas, em particular as da União Europeia, onde um novo e rigoroso Regulamento Geral de Proteção de Dados deverá entrar em vigor em 2018.
À PRÓPRIA SORTE
Mas nós, consumidores, muitas vezes não desfrutamos desse luxo. "Os dados da sua conta do Gmail com certeza estão em mais de um servidor e em mais de um país", diz o professor Svantesson.
E POR QUE DEVEMOS NOS PREOCUPAR?
Quanto mais espalhados pelo mundo, mais vulneráveis estão nossos dados à ação de hackers, argumenta Caudill - uma suposição que ganha força pelo aumento no número de casos de fraude de identidade. Como as pessoas continuam armazenar suas informações on-line, em um complexo terreno de legislações distintas e de protocolos de segurança nacionais nem sempre públicos, Svantesson dá alguns conselhos práticos - que muitas pessoas ainda não seguem. "Sugiro não colocar nada muito importante na nuvem, como informações de cartão de crédito, ou imagens pessoais que você não quer que outros vejam. Algumas coisas que você deve guardar apenas para si mesmo", aconselha.

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