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terça-feira, 30 de agosto de 2016

TEXTO DO BLOG

ESPERANÇAR
por Rinaldo Barros*

“Esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (Paulo Freire)

Mestre Ivan Maciel ensina que “o mais importante na Olimpíada do Rio foi o fato de nos mostrarmos ao mundo com a nossa verdadeira face. Sem macaquear as excelências estrangeiras”.
Relembra que “nossos atletas brilharam, até mesmo perdendo, como aconteceu com as seleções femininas de vôlei e de futebol. As festas de abertura e de encerramento foram antes de qualquer outra coisa genuinamente brasileiras, inimitáveis, com um sabor único, de brasilidade. Mas foram, sim, criativas, de uma alegria e animação contagiantes, de uma beleza simples – poética em sua simplicidade. Sem frescura falsamente cultural, mas de bom gosto artístico. Afinal, a Olimpíada deu certo. Inclusive na parte mais temida: a segurança”.
Contrariando temores de zika, violência e infraestrutura precária, a Rio 2016 chegou ao fim elogiada internacionalmente. Além disso, caso tenhamos algum juízo, o patropi pode ser impulsionado num salto de qualidade em sua história. Alguns legados importantes podem fazer a diferença.
O “Transforma”, programa de Educação do Comitê Rio 2016, já beneficia 28 mil alunos da rede municipal de ensino do Rio. A iniciativa, que leva os valores Olímpicos e Paralímpicos para as escolas, pode ser adotada por instituições de todo o país. Na página do programa, os professores encontram dicas de atividades e material de apoio para baixar.
A cultura é a primeira anfitriã de um país. Por isso, o Celebra – programa de Cultura do Comitê Rio 2016 – promoveu intervenções artísticas que representam a diversidade cultural brasileira, em uma ocupação inédita de ruas, parques, praças e praias da cidade sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Projetos de música, instalações, dança e arte popular despertaram na população o espírito esportivo.
Você sabia que as delegações estrangeiras passaram por um período chamado “aclimatação”?
Engana-se quem pensa que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 vão beneficiar somente o Rio de Janeiro. São 160 locais de treinamento em 18 estados do Brasil. Isso é legado que ficará para todo o país.
O “Transforma” tem uma proposta excelente, mas o número de escolas atendidas ainda é pequeno na comparação com a quantidade de escolas existentes no Brasil.
O programa que os Jogos Rio 2016 propôs é realmente muito interessante, muito importante, que renova a concepção do esporte para a educação escolar, ele é inovador, mas entendo que ele começou um pouco tarde.
Deveria ter começado quatro anos atrás para que a população pudesse coletar os benefícios e pudesse colocar em prática o conhecimento esportivo e de cidadania, e que isso também tivesse uma continuidade.
Faltou vontade política no governo do PT para envolver as crianças do país inteiro no espírito olímpico. Equipamentos públicos, ginásios, piscinas e pistas, todas as cidades que sediam uma Olimpíada têm que ter. Nós precisamos pensar grande e ter um diferencial que é o lucro social. E esse lucro social está justamente na ponta, no investimento no aluno, na escola, na educação escolar de qualidade, que é tão relegada para terceiro plano.
O programa “Transforma” atua em parceria com as escolas e oferece material didático digital sobre os movimentos Olímpico e Paralímpico, sugestões de experimentação esportiva e cursos de formação para professores de educação física, além de propor desafios para estimular o ambiente escolar.
Diretamente, o programa já atende, desde 2013, 3 mil escolas públicas com 3 milhões de alunos nos estados de Minas Gerais, do Amazonas, do Distrito Federal e do Rio de Janeiro, com visitas periódicas, acompanhamento das atividades e promoção de cursos presenciais, além de visita de atletas olímpicos e Paralímpicos. É um excelente começo.
Todavia, não há previsão de continuação do programa após os Jogos Olímpicos e o “Transforma” não oferece apoio financeiro nem equipamentos esportivos para as escolas participantes. Faltam recursos.
O governo federal tem obrigação histórica de estender o “Transforma” para todo o território brasileiro, garantindo orçamento e transferências de recursos para os Estados e municípios da federação.
O momento é muito oportuno para – governo e sociedade – implementarmos uma nova visão de futuro, elegendo a Educação como prioridade nacional, como projeto de Nação. La recherche du temps perdu. O momento é de esperançar!

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

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