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sexta-feira, 22 de abril de 2016

RAPIDINHAS DO BLOG...

BANCO CENTRAL EUROPEU MANTÉM TAXA DE JUROS EM MÍNIMA RECORDE
O Banco Central Europeu (BCE) manteve na quinta-feira (21) inalterada sua taxa de juros em mínima histórica, como esperado, enquanto ainda tenta impulsionar a economia e acelerar a inflação. A decisão de manter taxas inalteradas era esperada por 60 analistas consultados em uma pesquisa da agência Reuters, após o BCE ter reduzido sua taxa de depósito ainda mais em território negativo no mês passado devido à piora das perspectivas de inflação. Na reunião desta quinta-feira, o BCE manteve a taxa de depósito em -0,4%, a taxa de refinanciamento em zero e sua taxa de empréstimo marginal (usada pelos bancos para tomar empréstimos do BCE) em 0,25% ao ano. 

CIENTISTAS DETECTAM GENES QUE FAZEM 'CONTROLE DE QUALIDADE' DO GENOMA
Um novo método para identificar genes responsáveis pelo "controle de qualidade" do DNA pode ajudar no diagnóstico e tratamento de vários tipos de câncer. O trabalho, que combinou técnicas de bioinformática com análises funcionais, encontrou 182 genes do tipo GIS, sigla inglesa para supressores de instabilidade do genoma. Desses, 98 nunca haviam sido descritos antes. "Isso tem potencial para levar a novas terapias, bem como a testes que podem predizer quão agressivo é um dado tumor de um paciente", diz Sandro de Souza, pesquisador do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e um dos autores do estudo, publicado na última edição da "Nature Communications". A pesquisa ajuda a ilustrar como o que se convenciona chamar de câncer na verdade é uma complexa série de doenças diferentes, que só têm em comum o fato de envolverem crescimento descontrolado de células que sofreram mutação. (Isso reforça a noção de que dificilmente haverá uma pílula mágica capaz de resolver todo e qualquer caso, como os fãs da fosfoetanolamina querem fazer crer.) Os pesquisadores se concentraram num fenômeno que se observa com grande frequência em alguns tipos de câncer, como o colorretal e o ovariano, mas não em outros, como a leucemia. É um embaralhamento forte do genoma da célula, referido tecnicamente pela sigla GCR, de rearranjo cromossômico grosseiro. Ele acontece quando alguns genes responsáveis por manter o DNA todo organizado falham nessa função e induz ao surgimento de mutações, que por sua vez aumentam as chances de surgir um tumor maligno. Mas quais exatamente são esses genes, os tais GIS? Encontrar essa resposta era o objetivo principal do estudo. Sob a liderança de Richard Kolodner, pesquisador do Instituto Ludwig para Pesquisa sobre o Câncer, em La Jolla, na Califórnia, o grupo se concentrou num primeiro momento no genoma da levedura Saccharomyces cerevisiae. A caça aos tais genes não seria trivial, pois não é fácil bolar esquemas de laboratório capazes de revelá-los em culturas de células. Eis então a inovação que permitiu o sucesso: o trabalho começou numa "caçada virtual", em computador. Parte desse trabalho foi realizada no Instituto Metrópole Digital, também da UFRN. Usando técnicas de bioinformática aperfeiçoadas ao longo dos últimos anos, com a crescente capacidade computacional de processar dados genômicos, os pesquisadores "pescaram", no genoma da levedura, uma série de possíveis candidatos. Então, com esses genes na mira, partiram para testes práticos com culturas de células, a fim de confirmar sua função como supressores de instabilidade do genoma. Por vezes, chegaram a testá-los dois a dois. E o esforço compensou. Foram descobertos 182 genes do tipo GIS, além de outros 438 que não são propriamente da mesma categoria, mas agem em concerto para que o sistema de preservação da integridade do genoma se mantenha funcionando.
DA LEVEDURA PARA O HOMEM
Uma vez identificados os candidatos, o trabalho voltou para o computador, com a comparação entre os genes da levedura e os contidos no genoma humano. Esta é uma das "assinaturas" mais claras da evolução das espécies –o fato de que muitos dos genes presentes em outros organismos também têm seus equivalentes no homem. É isso que permite que estudos genéticos com outros organismos tenham um impacto importante na saúde humana. No caso do estudo em questão, isso ficou imediatamente claro. Ao confrontar os genes GIS identificados com os contidos nos dados do Atlas do Genoma do Câncer (TCGA), os pesquisadores notaram que há uma correlação forte entre defeitos nessas sequências genéticas e o surgimento de cânceres como o ovariano e colorretal. No caso ovariano, a correlação entre problemas com os GIS e a incidência da doença é de, no mínimo, 93%. No colorretal, o número cai para 66%, mas ainda assim é um indicativo importante.
POTENCIAL
Num nível mais elementar, o estudo oferece mais lampejos sobre como funcionam certos tipos de câncer, provavelmente induzidos por mutações que levam ao colapso do sistema de controle de qualidade do DNA e ao surgimento de rearranjos cromossômicos grosseiros. Segundo os autores, contudo, ele vai além disso –também abriria portas para o desenvolvimento de novos tratamentos e técnicas de diagnóstico e prognóstico. "Há a possibilidade de esses genes serem alvos para possíveis terapias", diz Sandro de Souza. "Se tivermos como restaurar a função desses genes, isso traz um potencial terapêutico". O pesquisador também destaca como eles podem oferecer pistas que ajudem a avaliar o nível esperado de agressividade de tumores. "Quando esses genes estão multados, os respectivos tumores apresentam maior taxa de mutação. Com isso, há maior probabilidade de que surja uma variação mais agressiva". Ainda é cedo para esperar um teste prático, entretanto. "Precisamos de estudos para confirmar e definir qual a assinatura preditiva exata", assevera Souza. O trabalho é um importante ponto de partida, mas ainda há muito a ser feito. "Estamos trabalhando agora em uma abordagem usando dados para cerca de 15 tipos diferentes de tumor e também estamos trabalhando nos pares de genes que parecem atuar de forma colaborativa", conta o pesquisador brasileiro. "Queremos entender como essas mutações nesses pares podem refletir características clínicas nos pacientes." 

APÓS 180 ANOS, BRASIL UNIFICA CARTÓRIOS
Em 1836, a Inglaterra unificou todos os registros civis. O objetivo era simples: integrar em um único lugar dados essenciais para a vida do país. A partir dessa aparentemente singela mudança, nascia quase que por acidente uma vertente do que chamamos hoje de "ciência dos dados" (data science). Com os registros unificados, eles se converteram em manancial de informações, um verdadeiro "big data" para a época. O primeiro diretor-geral dos registros unificados foi um médico de origem humilde chamado William Farr. Farr era dotado de criatividade espantosa. Ao perceber as informações que tinha em mãos, começou a trabalhar em análises que vão muito além da função básica dos registros. Por exemplo, examinou as taxas de mortalidade de cada profissão e constatou que certos profissionais morriam mais cedo (seu método de análise é usado até hoje). Em 1858, fez uma descoberta importante. Percebeu que pessoas casadas vivem mais -25 milhões de registros mostraram a ele que a vida de solteiro (ou de viúvo) não é boa para a saúde. Naquela época, entre homens de 20 e 33 anos, havia 11 mortes por 1.000 solteiros e apenas 7 para 1.000 casados (o número subia para 29 para viúvos). Dados similares aplicavam-se também às mulheres, descontadas as mortes no parto. Diante disso, ele concluiu poeticamente: "O casamento é um estado favorável à saúde. O indivíduo solteiro tem mais chances de naufragar em sua viagem do que vidas que se juntam em matrimônio". Farr foi também um patrono da computação. Encomendou a Charles Babbage uma de suas famosas "máquinas diferenciais", capazes de fazer cálculos mecânicos com polinômios. Queria melhorar a análise dos dados civis, produzindo tabulações gerais e criando parâmetros que são usuais até hoje, como expectativa de vida, mortalidade infantil e outros. O que a Inglaterra fez em 1837, mutatis mutandis, o Brasil começa a fazer agora. No dia 25 de março, a Corregedoria Nacional de Justiça, liderada pela ministra Nancy Andrighi, instituiu as regras do sistema digital que permitirá integrar e compartilhar os dados dos cartórios civis, de títulos e pessoas jurídicas de todo o Brasil. Essa medida é positivamente revolucionária. Nas palavras da ministra: "O objetivo é justamente facilitar o intercâmbio de informações entre os cartórios de todo o país, o Poder Judiciário, a administração pública e o público em geral". Se esse registro unificado for de fato aberto e acessível a todos, isso poderá gerar uma gigantesca inovação. Será possível fazer análises inéditas sobre a atividade econômica. Enxergar nuances do ciclo de vida e morte das empresas, criar novos índices, previsões e infinitas outras formas de tomar em tempo real o pulso da sociedade brasileira. Nossa "William Farr" demorou 180 anos para chegar. Melhor tarde do que nunca. (por Adv.  Ronaldo Lemos)

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