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segunda-feira, 14 de março de 2016

CAUSOS DO BLOG

ROENDO O OSSO
por Geraldo Duarte*

Edmundo de Souza, servidor público municipal, trabalhava no Posto Médico-Odontológico do bairro, onde conquistava a todos.
Educado e sempre com sorriso, desde o amanhecer e até horas depois do meio-dia, atendia a população carente do serviço de saúde daquela área da Capital.
Os “bom-dia” e os “como vai?” distribuía da saída de casa e completava com os que o aguardavam no local de trabalho.
Diariamente, ao saudar um aposentado que, sentado defronte a sua residência tomava banho de sol, ouvia: “Roendo o osso!”.
A resposta não variava e o longevo mostrava-se alegre e tranquilo. Incompreensível, pois, satisfazer-se ante tal afirmativa.
Cada vez mais Edmundo intrigava-se com a situação. Comentou o assunto, que já o preocupava, com a assistente social e solicitou-lhe uma opinião a respeito.
“Puxe conversa, demonstre, caso necessário, a possibilidade de ajudar. Enfim, tente conseguir inteirar-se do problema do idoso.”.
Oportunidade deu-se e os dois prosearam. Saudáveis eram o ancião e sua esposa. Ele possuía leve hipertensão, medicada e controlada.
Os proventos supriam as necessidades. “Podiam ser melhores, mas foi não foi, metem a mão e o rombo aumenta, no dizer da rádio.”.
“Então, por que o senhor se queixa de viver ‘roendo o osso’?”.
Veio o retrucar do vetusto: “Queixa?”. Com sonora gargalhada levou o barnabé ao quintal, mostrando um cão. “Veja o Rex! Cedo vou ao açougue, compro carne e trago um osso para ele. Daí, dana-se a balançar o rabo, abre a boca parecendo rir e, logo, toca a roer o osso! Felicidade total! Roendo o osso... e eu, lá fora, também, roendo o doce osso de minha vida.”

(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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