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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

TEXTO DO BLOG

TERAPIA PARA CASAIS
por Leniza Castelo Branco*

Mudar a nós mesmos já é difícil! Mudar o outro é impossível!
Quando um casamento não vai bem, é comum que um dos dois procure terapia. Geralmente é quem está sofrendo mais, ou quem é mais esclarecido e sabe que nunca o problema é só de um.
Procurar terapia não é sinal de que a pessoa esteja doente, seja louca, não bate bem. Procurar terapia é um sinal de que aquela pessoa percebe que o problema está nela também. As mulheres procuram bastante, mas os homens também.
Muitas vezes os clientes vem porque acham que o problema está no outro, mas se procurou é porque sabe que tem que mudar também.
Sempre falo que mudar a nós mesmos já é bem difícil, imagine “mudar o outro “ é impossível! O primeiro passo é se conscientizar de que há um problema, e que não está conseguindo resolver. Depois vamos ver qual a sua responsabilidade pelo que acontece, não jogando sempre a culpa no parceiro.
Essa dificuldade está ligada ao fato da pessoa não querer se confrontar com aspectos ruins de si mesmo. È isso que C. G Jung, famoso psiquiatra suíço chamou de “sombra”. Usamos vários recursos para não nos confrontarmos com nossa “sombra”, e um deles   muito usado é a “projeção”. Então projetamos no outro que geralmente é nosso marido ou mulher. (ou chefe, sogra, namorada) O mal que nos incomoda está fora, no outro! Assim não somos responsáveis pelo que acontece no casamento, a culpa é sempre do outro.
Mesmo em casos onde claramente o parceiro é abusivo ou usa drogas, a responsabilidade é dois dois.... Aonde a pessoa está estimulando ou sendo conivente com o comportamento do marido ou mulher?
Num parceiro que usa álcool, drogas, o outro pode estar estimulando esse comportamento quando por exemplo, após uma crise de bebedeira e o parceiro estando arrependido ou de ressaca, finge que nada aconteceu. Ele pode evitar tocar no assunto porque o outro se enfurece ou porque vai ficar bonzinho por um tempo e então vamos fingir que nada aconteceu.  Esse é outro recurso que usamos para não enfrentar o problema   se chama “negação. ”
Então na terapia vai ver que o problema não é só do outro, e que pode ser um co-dependente. O que nele faz com que aceite isso? Aonde é conveniente?  De que maneira está estimulando isso no parceiro? Porque aceita esse comportamento?
O ideal seria uma terapia de casal, mas geralmente quem está pior não aceita, então quem está melhor vai se tratar, mas o problema é seu também.
Em alguns casamentos há arranjos que perpetuam   num relacionamento neurótico.
Por ex.se um depende do outro monetária   ou emocionalmente pode aceitar falta de amor ou ser maltratado até mesmo agredido mas não quer mexer, porque teria que fazer um esforço.Se fosse para terapia iria ver   que deveria se separar, sair dessa relação ou muda-la, mas prefere se calar e não enfrentar a realidade. Não quer enfrentar sua “sombra”, este seu lado preguiçoso, enfrentar a realidade é o primeiro passo, mas é preciso coragem porque se enfrentar vai ter que encarar uma mudança e toda mudança implica em perdas, o que muito difícil.
Mesmo quando um dos parceiros se recusa a fazer terapia se um procurar já ajuda bastante. Quem está sofrendo, deve se tratar, mesmo quando aparentemente não seja culpado! Quando conhecer sua sombra será mais fácil confronta-la e ver que sempre é menos terrível do que imaginamos.

(*) Leniza Castello Branco, psicóloga e analista junguiana na capital paulista, é membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA). É também cantora e pesquisadora de música popular brasileira.

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