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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

TEXTO DO BLOG

‘MISCASTING’
por Luis Fernando Veríssimo*

A crise e as investigações da Lava-Jato nos transformaram todos em monotemáticos, incapazes de falar em outra coisa. Por isso, é importante tentar escapar para a pura bobagem, com a única e terapêutica intenção de mudar de assunto. É o que vou fazer hoje. Dois pontos.
Miscast é o nome que dão a um ator ou uma atriz mal escolhidos para papéis que não lhes servem. Há vários casos de miscasting no cinema americano. Você deve ter a sua lista. Esta é a minha.
Começando por, talvez, o exemplo mais evidente de um ator mal escolhido: John Wayne para o papel de Gengis Khan. Sim, isto aconteceu. John Wayne trocou seu tradicional colete pela blusa felpuda do “flagelo de Deus”, mas não mudou o seu jeito de caminhar, como se a Estepe asiática fosse uma extensão do Oeste americano. No filme, Gengis Khan rapta uma princesa tártara que, apesar da lamentável maquilagem para fazê-lo parecer mais oriental, se apaixona por ele. Mas ela é Susan Hayward, também miscast como tártara, de sorte que tudo acaba bem.
Outro exemplo notório de miscasting foi Marlon Brando no papel de Napoleão Bonaparte. O filme se chamava “Désirée”, e o que o redimia era a presença de Jean Simmons no papel título. Por justiça, deve-se reconhecer que Brando passa o filme todo desconfortável, como se mal pudesse esperar que chegasse Waterloo.
Lamentável, também, foi Gérard Depardieu no papel de Cristóvão Colombo, com sotaque francês e tudo. Passei o filme inteiro esperando que, ao ter sua primeira visão do Novo Mundo, Depardieu exclamasse “Ulalá!”.
A pobrezinha da Sofia Coppola não deve ter pedido para ser a Maria no “Poderoso chefão 3”, foi coisa de um pai carinhoso. Ela depois foi ser uma competente diretora, como o pai. Que está perdoado.
Quem mais? Robert Downey Jr. como Sherlock Holmes, por certo. Um autêntico crime de lesa-majestade. E, claro, Daniel Day-Lewis fazendo um Federico Fellini completamente errado, no “Nine”.
A lista de horrores continua. Mas acabou o espaço.

(*) Luis Fernando Veríssimo é escritor

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