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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

RAPIDINHAS DO BLOG...

PARA ECONOMISTAS, GOVERNO ABANDONOU A META FISCAL DESTE ANO
adiamento do anúncio no corte do Orçamento e as notícias de que o governo pretende adotar regras mais flexíveis para cumprir a meta de superávit primário prejudicaram ainda mais a credibilidade da equipe econômica. Na quinta (11), o governo decidiu postergar para março o corte que pretende fazer nos gastos para tentar cumprir a meta de economia de 0,5% do PIB. O anúncio era esperado para sexta (12). "Esse atraso é muito ruim. A presidente já deveria ter apresentado coisas pontuais nesse sentido em sua mensagem ao Congresso, na semana passada", diz o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. "Mas o clima já está tão ruim que não será isso o que vai mudar as expectativas do mercado". Para José Francisco de Lima Gonçalves, do Banco Fator, o governo tenta ganhar tempo para negociar com parlamentares cortes nos gastos ou aumento de impostos para definir o Orçamento. Marcelo Giufrida, sócio da Garde Asset Management, diz que o que mais preocupa não é o governo postergar a decisão, mas a intenção de adotar bandas de flutuação do superávit. Para ele, na prática, o governo está abandonando a meta fiscal para este ano. "No curto prazo só tem um jeito de resolver o problema fiscal: aumentar imposto, o que é inviável por causa do Congresso", diz Perfeito. O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, também acredita que não será possível cumprir a meta. "Estimamos para este ano um déficit de pelo menos 1% do PIB, mas com chance de revisão para 1,5% nas próximas semanas", afirma. Ele acrescenta, porém, que o mais preocupante é a perspectiva de endividamento crescente. O mercado de juros futuros reflete essa preocupação. Com dívida maior, o governo pode ter de aumentar a remuneração oferecida aos investidores para se financiar. Nesta quinta, o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2021 apontou taxa de 16,12%, ante 15,88% na véspera. Além da crise fiscal, preocupações a economia influenciaram os negócios. 

CIENTISTAS DETECTAM ONDAS GRAVITACIONAIS NO UNIVERSO
Com estardalhaço, físicos americanos anunciaram a primeira detecção irrefutável de ondas gravitacionais -um fenômeno que predito pela teoria da relatividade geral, publicada por Einstein cem anos atrás, mas que ainda não havia sido confirmado. Para entender o que aconteceu, basta imaginar que o espaço, em vez de ser um vazio padronizado, é como a superfície de um lago -ele pode flutuar, se esticar, se encolher. Se você atira uma pedra no meio do lago, uma série de ondas emanam a partir do ponto de impacto. A pedra em questão foi a colisão entre dois buracos negros, cada um com massa cerca de 30 vezes maior que a do Sol, a mais de 1 bilhão de anos-luz de distância. O evento foi tão violento que, por uma fração de segundo, produziu mais energia do que todas as estrelas do Universo. Mas para nós, na beira do lago, muito longe do centro da ação, tudo se resumiu a uma pequena série de tremulações no espaço, detectáveis por dois sistemas de laser gêmeos. O sistema é conhecido pela sigla Ligo (Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro de Laser) e consiste em duas instalações idênticas nos Estados de Washington e da Louisiana. Ambas são compostas por circuitos em "L" de 4 km por onde os laseres são constantemente refletidos. Qualquer minúscula variação no comprimento físico de um dos braços do L provocada por uma onda gravitacional, geraria um desalinhamento entre os laseres dos dois braços e indicaria a passagem da onda. Com a detecção, os cientistas puderam determinar com exatidão o que produziu as ondas gravitacionais (a colisão de buracos negros), e o padrão de ondas se encaixou com incrível precisão ao previsto pela teoria da relatividade. A expectativa agora é de fazer novas detecções e começar a usar o Ligo e outros observatórios para estudar o Universo de uma nova perspectiva. Antes, estávamos limitados a estudar o cosmos com o que se pode ver. Agora, poderemos também ouvi-lo. Na apresentação, os cientistas converteram o sinal das ondas gravitacionais em vibrações sonoras, só para que pudéssemos escutá-las.
DESAFIO TÉCNICO
Os físicos estão em êxtase. Na coletiva que anunciou os resultados, David Reitze, diretor-executivo da equipe de colaboração Ligo, abriu a apresentação em nome de mais de mil cientistas (incluindo grupos brasileiros da Unesp e do Inpe): "Nós detectamos ondas gravitacionais". É uma frase que o mundo acadêmico passou pelo menos 50 anos esperando, quando o físico americano Joseph Weber propôs a criação dos primeiros detectores de ondas gravitacionais. É uma frase que o mundo acadêmico também aprendeu a ouvir com uma pitada de sal, pois ela já foi dita e desdita em duas ocasiões recentes. A primeira, pelo próprio Weber, que confundiu artefatos do processamento de dados com ondas gravitacionais de verdade. A segunda, em 2014, quando o pessoal do telescópio Bicep2, instalado no polo Sul, disse ter detectado ondas gravitacionais ligadas à inflação cósmica. A terceira vez é a boa, contudo. A detecção do Ligo não só foi feita praticamente simultaneamente pelas instalações gêmeas como aparecia com clareza indubitável nos dados. O estudo passou por revisão e foi publicado pelo respeitado periódico "Physical Review Letters". 


POR QUE UMA BATERIA MORRE? CONHEÇA DESAFIOS ENFRENTADOS POR CIENTISTAS
Boa parte das utilidades da vida moderna giram em torno de eletrônicos portáteis, que teriam pouquíssimo uso se não fossem as baterias. Smartphones, notebooks, relógios e tablets podem ser carregados pra lá e pra cá porque usam uma fonte de energia que é capaz de ser recarregada várias vezes. Quando acaba, basta plugar a bateria na tomada, via um carregador. O problema é que as baterias têm uma vida útil limitada e, mais cedo ou mais tarde, morrem. O desafio dos cientistas, relatados em uma publicação recente da revista "Science", é tentar prolongar a eficiência e a durabilidade das baterias atacando justamente a limitação atrelada à escolha das matérias-primas e à tecnologia por trás de sua manufatura.
TRAMBOLHOS
Curiosamente, este mercado ainda é dominado, em termos de energia total fornecida, pelas antiquíssimas baterias de chumbo-ácido. São esses trambolhos que permitem que os carros deem partida. Trata-se de uma tecnologia do século 19 (1859), mas que ainda está longe de se tornar obsoleta. Com o tempo, a bateria foi aperfeiçoada, em parte para "permitir a inclusão de brinquedinhos" aos carros, como vidro elétrico, rádio, displays interativos, entre outros, explica o físico e professor da USP de Ribeirão Preto José Maurício Rosolen. A bateria de chumbo-ácido é barata e consegue produzir uma alta voltagem, mesmo com uma baixa densidade energética –capacidade de armazenar energia em relação ao tamanho. Sendo assim, não existe motivação para trocar de tecnologia, explica o professor, já que a demanda é atendida adequadamente, na média. Nessa bateria, concebida pelo francês Gaston Planté, no lado negativo (ânodo), o chumbo reage com o bissulfato (proveniente do ácido sulfúrico), liberando elétrons. Como nada some na natureza, esses elétrons são aproveitados em outra reação no lado positivo (cátodo), onde óxido de chumbo reage com o bissulfato, formando sulfato de chumbo. Nessa sopa de termos eletroquímicos, o importante é que, entre um passo e outro, o "caminhar" do elétron gera energia. Toda a construção de uma bateria tem esse propósito: criar uma tensão grande o suficiente para que o elétron queira "andar". E, aí, aproveita-se essa caminhada entre ânodo e cátodo para ligar uma lâmpada ou alimentar os circuitos de um notebook.
CARGA E RECARGA
Um dos motivos da morte das baterias é o excesso de ciclos de carga e recarga. A bateria de chumbo-ácido, por exemplo, é recarregada com a energia gerada pelo movimento do carro. Com o acúmulo de ciclos, no entanto, há formação de cristais de sulfato de chumbo que impossibilitam a bateria a voltar completamente ao estado original. Há ainda o risco de a bateria explodir com uma sobrecarga, de haver vazamento de ácido (corrosivo) e da liberação de gás, que culminam em dano permanente ao aparato.
MAIS EM MENOS
Pesadas, mas não tanto, as baterias de níquel-cádmio tiveram sua era. Também recarregáveis, elas eram as preferidas para alimentar câmeras de TV e flashes poderosos. O cádmio faz um papel análogo ao do chumbo e de outros compostos. "A ideia sempre foi diminuir custo e/ou aumentar performance", explica Rosolen. "Imagine um satélite que precise de uma bateria que dure 10 ou 15 anos, que não pode falhar. São necessários engenharia de software e circuitos de proteção para mantê-la funcionando". O professor se refere às baterias de íon-lítio –umas das mais famosas hoje em dia. Dê uma olhada na bateria do celular. Provavelmente será o caso. Elas até agora são campeãs tanto em custo de produção quanto em performance. O que não quer dizer que estejam livre de defeitos. Uma vantagem é que elas não sofrem com o famigerado "efeito memória", com o qual uma bateria estraga mais rápido se recarregada antes de uma descarga completa.
PROBLEMA CÍCLICO
Mas elas também sofrem com os repetidos ciclos de carga e recarga –boa parte dos celulares de hoje não permite a troca de suas baterias. Qualquer defeito nelas faz com que o aparelho tenha de ser todo trocado. Durante os ciclos de recarga, existe um aumento de temperatura pelo efeito Joule –a mera passagem de corrente faz a bateria esquentar, acelerando sua degradação. De forma simplificada, há sucessivas contrações e expansões da bateria de acordo com a fase do ciclo em que se encontra –o que faz acumular "lesões" em seus componentes, dificultando a recarga. Se controlada a temperatura (refrigerando a bateria, por exemplo), a vida útil pode ser bastante prolongada. De forma análoga, deixar uma bateria no sol pode ter o efeito contrário. Em um futuro próximo, as baterias de íon-sódio poderão roubar uma fatia do mercado daquelas de íon-lítio. Isso porque essas baterias tem uma densidade energética muito maior, e porque é muito fácil obter sódio, a matéria-prima, na natureza. As desvantagens dessa bateria são que ela permitiria um número menor de ciclos de carga e recarga do que as de íon-lítio, e que, como ela tem mais massa, os aparelhos se tornariam um pouco mais pesados do que os atuais. "Um mercado para baterias de íon-sódio seria para armazenamento da energia eólica e daquela gerada por painéis solares", diz Rosolen.  

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