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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

TEXTO DO BLOG

CADÊ A ÁGUA?
por Eng. Agro. Luiz Soares da Silva

A concepção tecnológica brasileira, com relação ao “potencial hídrico” nacional, especialmente nas terras nordestinas, está muitíssima aquém da realidade, sob a ótica do consumo humano e animal, da evaporação e do uso para irrigação.
Algumas perguntas do tipo se fazem oportunas: Água acumulada para a sobrevivência humana e animal ou hidroelétrica? Água acumulada para criar umidade no clima (evaporação) ou usar para a irrigação?
Não custa afirmar a máxima que domina as terras nordestinas, sob a ótica da agroclimatologia: A) Chuvas de grande intensidade e mal distribuídas; B) Volumes precipitados com uma grande amplitude para maior e quase sempre para menor, considerando a média da precipitação, da região; e, C) Predominância de períodos considerados “secos” que se repete quase que numa sequência e frequência matemática.
A irrecorrível tendência se concentra apenas em “acumular”, no caso da água superficial ou tentar avaliar o potencial acumulado nos aquíferos subterrâneos. No mais imaginar que a água do São Francisco, será a redenção sem limites. Mera ilusão, senão vejamos: “Os primeiros Eixos vão interligar o Castanhão, a Ibiapaba, Orós, Banabuiú, o Canal do Trabalhador e o Sistema Metropolitano de Fortaleza". "Os Canais de Integração proporcionarão a criação de Avenidas Rurais, a infraestrutura para uma moderna reforma agrária, um Banco de Solos, etc. etc.".
É muito cômodo e ingênuo se preocupar em acumular e, assim antever o uso, cheio de proselitismo político, com as finalidades múltiplas que a água pode nos proporcionar! Como equilibrar consumo e recarga via precipitação pluviométrica? Essa equação foi, há muito desenvolvida e posta em prática em muitos países, como os Estados Unidos (Califórnia, Arizona), Espanha e Israel. Sem essa preocupação haveremos de vivenciar muitos e muitos momentos de usarmos o volume morto desses mananciais (superficiais e subterrâneos). A água é finita, independentemente da sua forma de acumulação!
É preciso inteligência e muita determinação para gerar o equilíbrio que tanto necessitamos. É preciso entender que o nosso ponto de referência está diretamente vinculado ao regime de precipitação (volume), para cada uma ou das muitas bacias hidrográficas, distribuídas e encravadas nas terras nordestinas. A partir dessa premissa, planejar o uso consuntivo. A primeira variável seria do consumo humano e animal; a segunda ter consciência do que se evapora; e, terceiro o que pode ser usado para a irrigação. Nessa projeção, não deixar ao largo dos acontecimentos, as muitas possibilidades de existirem os intercalados períodos “secos”.
Gostaria de me alongar e traçar um tratado do uso da água, em todos os sentidos, nas terras nordestinas. Mas, neste começo, acredito que algo possa contribuir para alargar a nossa capacidade de entender e fazer valer o limite máximo, qual seja, acumular, guardar e saber distribuir, como forma de se criar estabilidade, sem sobressaltos, como esse que mais uma vez se repete, mesmo com todo o “conhecimento” de que dispomos.
A inteligência não é matemática. A inteligência como ferramenta nos coloca na posição de facilitadores da sobrevivência humana com dignidade; e não, como eternos e abandonados coitados, que vivem sob a mercê dos acontecimentos climáticos, na querida e amada terra nordestina. Te cuida Nordeste!

(*) Luis Soares é Engenheiro Agrônomo, produtor de frutas irrigadas, no município de Baraúna, Rio Grande do Norte, e Professor aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido-UFERSA.

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