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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

CAUSOS DO BLOG

PADRE CINZENTO
por Geraldo Duarte*

Dizer-se dona Cecília religiosa praticante e devotada, a mim não parece bastar. Pouco significa ante sua dedicação ao culto professado e ao labor ofertado.
Na rua onde morávamos, Antônio Augusto, também residia o padre e capelão do Exército Joaquim Jesus Dourado e, semanalmente, como visitador, encontrávamos outro clérigo, o padre Francisco de Assis Pita.
Presenças de regozijo e enaltecimento, em especial, para a devota. Antes de acompanhar Pita no arrecadar de óbulos destinados à Igreja de Santa Luzia e as Obras das Vocações Sacerdotais, oferecia-lhe lanche. Salada de frutas, café donzelo, leite, tapioca e cuscuz.
Afora pertencer à Ordem das Filhas de Maria e integrar o Coral da Igreja do Cristo Rei, assumia encargos funcionais do templo.
Década de cinquenta. Ali próximo, situava-se a Vila Bofete. Os domiciliados preparavam festa. De desagravo, até, pois se replicavam críticas às rugas e, de quando em vez, a intervenção da polícia.
Prenunciava-se novo modo vivencial, porquanto residiria um sacerdote paulista.
Sabedora da notícia, Cecília e umas suas confreiras lideram um movimento de recepção.
Sobre a porta de entrada do domicílio lia-se, em faixa: “Sede bem-vindo Pastor. O rebanho o aguarda”.
Em traje festivo, o Coral exercitava as cordas vocais, dado o recital.
Chegou um Chevrolet do Posto Pará. Desembarcaram um senhor, trajando batina cinza, uma senhora e duas crianças. Apresentações: Adriel, sua esposa Diana e seus filhos Pedro e Paulo.
Ele, padre e representante da Igreja Católica Apostólica Brasileira.
Foi um Deus nos acuda. Todos desapareceram. E o apelidaram “Padre Cinzento”.

(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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