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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

RAPIDINHAS DO BLOG...

QUEDA DAS IMPORTAÇÕES CONTRIBUIRÁ PARA SALDO COMERCIAL DOBRAR EM 2016
O superávit comercial deverá dobrar no ano que vem. Embora o aumento pareça positivo, ele esconde uma realidade perversa: o saldo tende a ser construído mais pela queda intensa das importações do que pelo aumento expressivo das exportações. Nas previsões dos analistas consultados pelo relatório Focus, organizado pelo Banco Central, o superávit do comércio brasileiro deverá aumentar de US$ 15 bilhões para US$ 31 bilhões entre 2015 e 2016. O quadro, portanto, deverá repetir o cenário deste ano. As importações estão diminuindo e deverão continuar nessa trajetória por causa da recessão brasileira, a mais intensa desde 1990. Em 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá recuar quase 4% e, no ano que vem, a queda estimada é de 3%. Com o recuo na atividade, a demanda por produtos importados, sobretudo os manufaturados, diminui. "A recessão vai continuar, a inadimplência e o desemprego vão subir", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "Com todo esse cenário, a demanda deve cair", diz. Entre janeiro e novembro, as importações recuaram 23,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras também estão em queda, e não deverão se recuperar com força no ano que vem - neste ano, o recuo será de 14,9%. O País tem sofrido com a menor cotação das commodities - 46% da pauta de exportação brasileira é de produtos básicos. "No ano que vem, os preços das exportações ainda devem estar em baixa. Se houver uma recuperação não será nada substancial", afirma Gabriela Szini, economista da Tendências Consultoria Integrada. "O que deve conduzir a melhora no resultado da balança de 2016 é fundamentalmente o desempenho das importações e o aumento do quantum (quantidade) de exportação", diz. Na projeção da Tendências, o saldo comercial será positivo em US$ 16 bilhões em 2015 e chegará a US$ 33 bilhões no ano que vem. O quadro da exportação é crítico porque os três principais produtos básicos brasileiros comercializados - minério, soja e óleo bruto de petróleo - estão com forte queda nos preços. Um levantamento da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) mostra que, entre janeiro e novembro de 2014, o montante obtido com esses produtos foi de R$ 61,9 bilhões. Neste ano, ela é de R$ 44,4 bilhões. Em 2015, a maior retração no valor dos produtos foi apurada no óleo bruto de petróleo (48,5%), seguido pelo minério de ferro (23,4%) e soja (23,4%). "O Brasil fica atrelado a um preço de mercado, negociado em Bolsa", diz Daiane Santos, economista da Funcex. "O total exportado está caindo muito porque a queda dos preços desses três produtos foi muito acima da média", afirma Daiane. A redução no preço dos produtos básicos pode ser explicada pela desaceleração da China, grande demandante de commodities. O crescimento da economia chinesa deverá ficar em 7% neste ano, abaixo do resultado apurado em anos passados. O gigante asiático também enfrenta um processo de transição: o modelo de crescimento deixou de ter como base a construção civil e a indústria e passou para o setor de serviços. No caso do minério de ferro e do petróleo, o novo patamar dos preços também reflete o aumento da oferta em relação à demanda global. As exportações brasileira de manufaturados também não reagiram como se esperava com a valorização do dólar ante o real - neste ano, o avanço da moeda americana é de 45,91%. Entre janeiro e novembro, as exportações de manufaturados recuou 9,8% na comparação com o mesmo período de 2014. "Em 2016, deve ocorrer alguma recuperação da exportação de manufaturados, mas nada excepcional", diz Castro, da AEB. "Será uma surpresa se ocorrer uma mudança excepcional".

PARA CIENTISTA, PESQUISAR NO PAÍS É PIOR DO QUE TER COMÉRCIO NO FIM DO MUNDO
Fazer pesquisa na área biomédica no Brasil é quase como ter um restaurante na paradisíaca praia de Corumbau (ou qualquer outro lugar remoto do mundo): você depende da importação dos reagentes para fazer seus experimentos. No caso do chef de cozinha, os reagentes são os ingredientes de cozinha. A diferença é que, nessa nessa comparação, o chef em Corumbau, no sul da Bahia, não tem uma Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para atrapalhá-lo. Em Corumbau até tem alguma coisa local -peixes, ovos e verduras produzidas por ali. Mas óleo, manteiga, sal, farinha, carnes especiais e temperos exóticos, todos devem vir da cidade grande. Da mesma forma, são produzidos aqui no Brasil vários reagentes bem básicos de boa qualidade. Porém, sem importarmos outros fundamentais, não conseguimos fazer nossa pesquisa no laboratório (que não deixa de ser uma grande cozinha). Pois bem, à medida que outros restaurantes foram abrindo em Corumbau -aumentando a demanda de produtos-, alguns supermercados se instalaram na cidade. Assim os chefs de cozinha passaram a não ter que se preocupar em encomendar da cidade grande quantidade itens comuns como farinha, sal, óleo, manteiga, ovos etc - era só dar um pulo no supermercado e estava tudo lá. Sai um pouco mais caro do que encomendar direto da cidade grande, é verdade, mas a disponibilidade imediata dos produtos compensava o preço maior.
CIÊNCIA BRASILEIRA
No universo brasileiro da pesquisa aconteceu a mesma coisa: à medida que a nossa produção científica aumentou, várias empresas estrangeiras passaram a ter representantes aqui que mantêm em estoque os reagentes mais utilizados por nós. Como os supermercados de Corumbau, eles são um pouco mais caros do que se importarmos diretamente das matrizes no exterior. Mas, enquanto o reagente demora três meses para chegar por importação, o produto chega na mesma semana quando compramos diretamente do representante nacional. Em Corumbau, os chefs de restaurantes ainda precisam importar da cidade grande os ingredientes mais sofisticados e específicos de suas receitas -trufas brancas, açafrão, cerejas, e por aí vai. Da mesma forma, nós cientistas seguimos dependentes de importar diversos reagentes fundamentais e específicos de nossas pesquisas, que, por serem muito diversos, não despertam interesse das filiais nacionais para que os mantenham em estoque. E aí começa a areia movediça da pesquisa nacional, que tem que esperar meses para esses reagentes chegarem (já escrevi ad nauseum sobre isso)...
'BURROCRACIAS'
Recentemente a Anvisa resolveu criar uma lista de produtos que só podem ser importados por pesquisadores e instituições de pesquisa - ou seja, não podem ser importados pelas empresas que os mantêm em estoque aqui. É como se o supermercado de Corumbau fosse proibido de vender farinha, sal, ovos, etc. para os restaurantes, que teriam que voltar a encomendar tudinho da cidade grande... Com isso, perderiam um tempo enorme fazendo pedidos e lidando com burocracias do transporte. E como as encomendas demoram para chegar, eles teriam que fazer um estoque para não faltar nada no meio de um almoço. Só que às vezes se erra a previsão, e muitos dos produtos perecíveis -carnes, frutas e legumes- podem acabar estragando... Da mesma forma, ao jogar nos pesquisadores o fardo de ter que voltar a importar vários reagentes básicos, a Anvisa, que regula, entre outras coisas, a entrada de reagentes no país, está atravancando ainda mais a pesquisa científica nacional e gerando desperdício de recursos (nossos reagentes comprados em grande quantidade também acabam estragando...) e do tempo precioso do pesquisador brasileiro, que passa a maior parte de seus dias a lidar com as "burrocracias" do que pensando em ciência. Faço um apelo aos leitores: alguém topa analisar as inúmeras leis e portarias e RDCs (Resoluções da Diretoria Colegiada) para ver se a Anvisa tem direito de fazer isso? Eu sigo convencida de que a Anvisa não tem direito de meter o bedelho em coisas de pesquisa científica que não envolva testes em humanos. A praia de Corumbau é paradisíaca, e talvez fosse capaz de sobreviver sem grandes restaurantes. Mas o Brasil sem ciência... (POR LYGYA DA VEIGA PEREIRA)

PROJETO DE CÁPSULA ULTRARRÁPIDA QUER SUBSTITUIR CARROS NOS EUA EM 2019
"Onde você mora define com quem você vai namorar. Se você é da zona norte e está com alguém da zona sul de São Paulo, então o relacionamento pode não dar muito certo". Foi dessa forma que Dirk Ahlborn, presidente-executivo da Hyperloop, de propriedade do empresário Elon Musk, apresentou seu principal projeto: uma cápsula tripulável que pretende substituir estradas e ferrovias e fazer viagens de cerca de 1.200 quilômetros por hora, ou um quilômetro a cada três segundos. O Hyperloop, cujos detalhes haviam sido divulgados em 2013, é um exemplo de novidade em uma área tradicional, a do transporte metropolitano. Para inspirar empreendedores, Ahlborn esteve na Innovator Summit, evento sobre inovação que acontece em São Paulo –a mesma cidade em que, segundo ele, não dá para namorar com alguém que more longe por causa do trânsito ruim. "Vi aqui no evento um palestrante falando sobre dinossauros e unicórnios. Não conheço nada mais antigo e sem inovação no mundo que uma estrada", diz. Segundo o projeto da Hyperloop, o novo meio de transporte consiste em uma cápsula colocada em um tubo com pressão reduzida, que diminui a resistência do ar. Aceleradores ao longo do caminho, darão velocidade ao veículo. Os tubos poderão ser montados em qualquer lugar e serão sustentados por pilares. "Vi alguns da construção do metrô quando cheguei em São Paulo, e são perfeitos para o Hyperloop", brincou Ahlborn. "Mas o que você faz com pilares sozinhos? Nada. Nós queremos saber o que fazer com eles. Pode ser um jardim vertical, um apiário ou construirmos alguma tecnologia para economizar água. Temos o problema de seca na Califórnia", disse. Além do dinheiro vindo das passagens, Ahlborn afirmou que o Hyperloop será lucrativo, já que poderá vender a energia que gerar e não for aproveitar para o próprio trabalho. O plano é que ele consiga estocar a energia solar, dos ventos e a cinética, dissipada quando o veículo freia. "Não conheço nenhum projeto de estrada que seja lucrativo. Nós seremos em oito anos", afirma. A construção do Hyperloop deve começar em 2016, e a expectativa é que faça as primeiras viagens em 2019. O primeiro trecho deverá ligar as cidades de Los Angeles e San Francisco, nos EUA, em um trajeto cuja estimativa será de 35 minutos. Em comparação, de carro, leva cerca de seis horas.  

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