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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

CAUSOS DO BLOG

DONA TESOURINHA
por Geraldo Duarte*

Por e-mail, recebo mensagem de ledor com solicitação de transformar o relato em artiguete.
Residente de prédio no Meireles diz reais os fatos expostos e, por óbvios motivos, encarece o preservar de seu nome.
Descreve setentona desocupada, de apelido Tesourinha, dada, do amanhecer ao avançado da noite, em perscrutar a vida de qualquer vivente que ponha os pés no edifício. Morador, funcionário, visita ou quem mais for.
Usa o marido e, até, a trabalhadora doméstica da residência na cata de informações de assuntos alheios. Chega a subir e descer pelo elevador, com paradas aleatórias em pisos vários, a fim de obter ocorrido fofocante.
Critica quem casa, descasa ou acasala. Na opinião dela, todas as pessoas têm graves defeitos. Caso não os encontre, inventa e, ainda, garante ter sabido por outrem e finge não crer. “O ser humano é perverso.” – falsamente lastima.
Aos seus olhos todos são horríveis, têm deformações e péssimos costumes. Neste ponto da descrição o relator faz uma pausa e indaga: “Será que a bruxa não se vê em espelho, ou é como os que não sentem a própria halitose ou bromidrose?”.
Depreende-se, ante a detalhada exposição, que ninguém escapa ao linguarão ferino daquela anosa. E, agora, lembro-me de fala do saudoso causoeiro Geraldo Bezerra dos Santos: “Tem criatura que se morder a língua morre de repente. Mesmo que houvesse tempo, não adiantava levar ao IJF, pois não há antídoto para o veneno dela.”.
Bisbilhotices maiores e absurdas da longeva abeiram ao enojamento.
Apiedo-me do missivista e seus vizinhos, mas por desconhecer alguém parecido com a idosa, creio haver exagero.

(*) Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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