SAIBA O QUE É TRANSPLANTE AUTÓLOGO DE MEDULA ÓSSEA E
COMO É REALIZADO
Os
cânceres são tratados com cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.
O transplante de medula é um tipo de imunoterapia. É usado para tratar
sobretudo mieloma, linfoma, leucemia e câncer de testículo. Transplante
autólogo é aquele em que se retira medula ou se coletam células-tronco do
paciente, ele recebe altas doses de quimioterapia e, então, medula ou células
são reinjetadas nele.
por Celso
Massumoto*
A mídia vem dando destaque ao chamado transplante
autólogo de medula óssea. A medula óssea é um tecido de consistência esponjosa
que ocupa o interior dos ossos. É fundamental porque produz as células do
sangue. O transplante de medula consiste de três fases: a) obtenção de uma
porção da medula de um paciente ou coleta de células formadoras de sangue
(células-tronco) em sua corrente sanguínea, congelamento e armazenamento; b)
tratamento da doença de que é portador com altas doses de quimioterapia e/ou
radioterapia ; e c) reinfusão no paciente da medula ou das células que foram
congeladas. Pode-se ainda só tratá-lo com altas doses de quimioterapia e
infundir nele medula ou células-tronco fornecidas por doador da família ou
mesmo estranho, porém compatível com ele.
O transplante de medula óssea é usado no tratamento de
várias doenças, entre elas as do sangue, tanto benignas quanto cânceres. Há
quatro maneiras de tratar os cânceres em geral: cirurgia, quimioterapia,
radioterapia e imunoterapia. O transplante de medula é um tipo de imunoterapia.
É usado basicamente no tratamento dos linfomas (cânceres dos sistema linfático),
mielomas e leucemias (cânceres da medula óssea), câncer de testículo, falência
da medula e imunodeficiências.
São três os tipos de transplante de medula: alogênico,
autólogo e singênico. Diz-se que um transplante é alogênico quando a medula
infundida em um paciente foi fornecida por doador cujas células são compatíveis
com ele. Transplante autólogo, de outro lado, é quando se retira medula ou se
coletam células-tronco na corrente sanguínea do próprio paciente, ele é tratato
com altas doses de quimioterapia e, então, sua medula ou suas células guardadas
são reinjetadas nele. Transplante de medula óssea singênico, enfim, é aquele
que tem gêmeos univitelinos como doador e recepetor.
Se uma pessoa tem linfoma, ou mieloma, ou leucemia, ou
câncer de testículo graves e muito resistentes à quimioterapia e/ou
radioterapia, pode-se recorrer ao transplante autólogo de medula óssea para
reforçar o tratamento. Mas em geral se faz esse tipo de transplante apenas
quando, realizado o primeiro tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia,
alguns meses depois o câncer reaparece (recidiva). Sabe-se que, nessa situação,
se o doente receber altas doses de quimioterapia, pode-se matar o câncer. Mas
podese também destruir a medula óssea do portador, que não produzirá mais
sangue e ele morrerá. A única alternativa, então, é obter uma porção de sua
medula, tratá-lo com altas doses de quimioterapia e então devolver-lhe a porção
de medula congelada.
Para fazer o transplante autólogo o portador de câncer
precisa estar em boas condições clínicas. O procedimento é realizado em
hospital com anestesia geral. Coletam-se 10 ml de medula/kg de peso do doente.
Então, o doente é “bombardeado” com quimioterápicos por alguns dias. Após o
último dia se infunde nele a porção da medula preservada. Ela leva 15 dias,
período em que o paciente está muito debilitado, para normalizar a produção de
sangue e lecócitos, células sanguíneas de defesa do organismo. Em cerca de 30
dias tudo está normalizado e o doente pode receber alta. Se o transplante não
cura o câncer, não é o fim. Ainda há alternativas de tratamento, como remédios
experimentais e transplante de medula alogênico.
* Celso Massumoto (CRM 48392) é médico
hemato-oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e membro do Comitê
Científico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).
0 comentários:
Postar um comentário