A ARTE DE “RODOLFO AMOEDO” – PARTE 02
por Maria
Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
Pintura:
Ateliê do Artista em Paris (1883)
Rodolfo Amoedo foi quem abriu novas
janelas no ensino e na estética ensinada na Escola Nacional de Belas Artes.
Como professor, incentivava seus alunos a pesquisar os mais diversos processos
de pintura: têmpera, encáustica, aquarela. Estimulava-os a pesquisar temas
menos idealizados e revitalizar, com ideias novas, as correntes neoclássicas e
românticas que predominavam entre nós. Ele não deixava de ser um eterno
admirador do clássico, mas queria marcar sua época. Por isso, muitas vezes foi
chamado de ambíguo. O crítico Tadeu Chiarelli disse que "Amoedo surge
indeciso entre o papel de herdeiro do academicismo local e aquele de introdutor
do realismo burguês (...) curiosamente o artista consegue transformar o seu
realismo inicial no único herdeiro possível e intransigente da arte tradicional
no país, única sentinela eficaz contra os avanços das vanguardas vindas da
Europa". A influência do ambiente acadêmico francês se faz notar tanto em
suas concepções estéticas quanto pedagógicas. Seu trabalho se afasta do tom
triunfante da pintura oficial da Academia, procurando um tratamento mais discreto,
objetivo, que o distancie dos temas que eram verdadeiros mitos. Passou a
discordar dos métodos da antiga AIBA e junto com os irmãos Henrique Bernardelli
(1858 - 1936) e Rodolfo Bernardelli (1852 - 1931), Souza Lobo e Zeferino Costa,
funda o Ateliê Livre, espaço paralelo de ensino e trabalho de arte, onde os
artistas procuram chamar a atenção para a defasagem do ensino acadêmico.
Propõem uma modernização curricular, tendo como modelo a célebre Académie
Julian, onde ele estudara em Paris. Se como pintor despertava polêmica, no
entanto foi muitas vezes premiado nas Exposições Gerais de Belas Artes
(destacando-se a medalha de ouro na Exposição Comemorativa do Centenário da
Abertura dos Portos, RJ, 1908, e a medalha de honra na Exposição Geral de
1917), como professor foi sempre admirado e seus cursos muito procurados. A
imagem de hoje é de uma aquarela sobre cartão que ele pintou em Paris. Retrata
o Ateliê do
Artista, onde ele viveu de 1879 a 1887. Mede 56,8 x 77 cm.
Fonte: Acervo
do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, RJ

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